2008-12-22

Produção de drogas cresce na Bolívia

Membros da força paramilitar fazem blitz em fábrica de pasta de cocaína na província Chapare da Bolívia, país que passou por um aumento de 56% na produção de drogas nos últimos três anos

Membros da força paramilitar fazem blitz em fábrica de pasta de cocaína na província Chapare da Bolívia, país que passou por um aumento de 56% na produção de drogas nos últimos três anos

Carlos Ortega

LA PAZ, Bolívia – A Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN) da Bolívia divulgou que, de janeiro a novembro de 2008, foram confiscadas 27,4 toneladas de drogas, quase dez toneladas a mais do que em 2007, segundo o jornal El Deber.

No comunicado da Força Especial, o ex-vice-ministro da Defesa Social, Ernesto Justiniano, assegurou que houve um aumento de 56% na produção de drogas na Bolívia nos últimos três anos.

Justiniano indicou que é apreendido somente 15% da produção total de cocaína e que o resto sai do território boliviano sem nenhum tipo de controle.

De acordo com a agência de notícias boliviana Erbol, oficiais da Polícia Militar Nacional da Argentina apreenderam em 6 de dezembro um avião de pequeno porte vindo da Bolívia e que tentava descarregar aproximadamente 297 kg de cocaína com alto grau de pureza na província argentina de Santiago del Estero.

Segundo o jornal La Razón, da capital boliviana, fontes da Direção Geral da Aeronáutica Civil afirmam que existem na Bolívia pelo menos mil pistas clandestinas de aterrissagem usadas pelo narcotráfico, localizadas principalmente nos departamentos de produção de coca em Santa Cruz, Beni e Pando.

Pouco antes de o presidente Evo Morales suspender indefinidamente o trabalho da Agência de Combate às Drogas (DEA) no país, o diretor nacional da FELCN, coronel René Sanabria, admitiu pela primeira vez em 2 de novembro que grupos transnacionais do tráfico de drogas, integrados por bolivianos e estrangeiros, operam atualmente na Bolívia.

Região fronteiriça não é protegida

“Foi detectada a presença de mensageiros das organizações criminais transnacionais, que chegam à Bolívia para entrar em contato com os narcotraficantes locais e estruturar novas rotas e maneiras de enfraquecer os mecanismos de controle de interdição”, Sanabria explicou.

A Administradora de Aeroportos e Serviços Auxiliares de Navegação Aérea (AASANA) da Bolívia, que controla 38 terminais nacionais, reconheceu em 9 de dezembro que muitos terrenos fronteiriços não são supervisionados, podendo ser usados como pistas clandestinas de aterrissagem.

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