2012-01-01

Parcerias + ferramentas de intercâmbio = sucesso da missão

Soldados afegãos e canadenses embarcam nos helicópteros Chinook CH-147 no
          Afeganistão em março de 2010, ao término da Operação SHER II. [FORÇAS ARMADAS DO
          CANADÁ]

Soldados afegãos e canadenses embarcam nos helicópteros Chinook CH-147 no Afeganistão em março de 2010, ao término da Operação SHER II. [FORÇAS ARMADAS DO CANADÁ]

DIÁLOGO

Militares em todo o mundo enfrentam uma série de responsabilidades desafiadoras. O combate a insurgências, a captação de recursos nacionais, a proteção das fronteiras e a realização de missões humanitárias são algumas de suas tarefas. Quando aliados confiáveis usam as mesmas ferramentas, os ganhos militares podem ser ampliados de forma exponencial.

UMA FRENTE COMUM

Nos conflitos do Iraque, Afeganistão e Paquistão, os principais parceiros da coalizão foram bem sucedidos usando o mesmo equipamento, muitas vezes disponibilizado através de subsídios dos Estados Unidos:

CANADÁ: Modernizou sua capacidade de elevação com os helicópteros do Exército dos EUA, Chinook (CH-47D). A compra incluiu treinamento e apoio para ajudar na transição do Iraque para o Afeganistão em parceria com outras forças de coalizão.

REINO UNIDO e AUSTRÁLIA: Reforçaram seus programas de aviação com veículos aéreos não tripulados comprados dos EUA, bem como recursos de visão noturna. As forças da Austrália também aumentaram seus recursos terrestres para proteger suas tropas usando os principais tanques de batalha do Exército dos EUA, os M1A1 Abrams. “Este recurso será cada vez mais importante, uma vez que a proliferação generalizada de armas antipessoais, antiblindados baratas, de alta tecnologia e letais poderia representar uma ameaça crescente em qualquer conflito futuro”, afirmou o ex-ministro da defesa da Austrália, Brendan Nelson.

Uma das maiores vantagens de se utilizar equipamentos similares entre as nações parceiras é a troca de conhecimentos entre as forças armadas. “Há um conhecimento comum no campo de batalha”, disse Keith Webster, vice-secretário assistente do Exército dos EUA para as exportações de defesa e cooperação, durante uma entrevista à Diálogo. “O envolvimento de militar para militar gera discussões sobre táticas de operações comuns no campo de batalha.”

Uma das maiores vantagens de se utilizar equipamentos similares entre as nações parceiras é a troca de conhecimentos entre as forças armadas. “Há um conhecimento comum no campo de batalha”, disse Keith Webster, vice-secretário assistente do Exército dos EUA para as exportações de defesa e cooperação, durante uma entrevista à Diálogo. “O envolvimento de militar para militar gera discussões sobre táticas de operações comuns no campo de batalha.”

Além dos campos de batalha do Oriente Médio, William J. McKeever, vice-chefe da divisão Américas, assuntos internacionais da Força Aérea dos EUA, também considera o uso de equipamentos similares como um componente chave para a colaboração militar. “É uma ligação muito forte de piloto para piloto e de técnico para técnico, muito importante para a cooperação de segurança”, disse McKeever à Diálogo. “Sem fatores comuns, como conheceríamos suas táticas, como eles conheceriam as nossas?”

O uso do mesmo equipamento durante as operações também gera uma capacidade comum de logística. Na hipótese de surgir alguma necessidade durante uma operação, peças de reposição são facilmente acessíveis para serem compradas ou emprestadas das nações parceiras. “O compartilhamento de equipamentos é o ponto de referência da cooperação”, disse McKeever. Embora McKeever tenha ressaltado a importância de ter equipamentos comuns, também enfatizou o valor das interações de militar para militar, como exercícios militares e intercâmbios, quando o equipamento é colocado em uso e os relacionamentos são fomentados.

SOBERANIA DO ESTADO E AJUDA PARA DESASTRES

A contenção de grupos insurgentes e a capacidade de realizar missões humanitárias podem caminhar lado a lado com equipamentos militares modernos. Os estados também podem combater a ação de outras facções criminosas.

NIGÉRIA: Buscando proteger seus recursos naturais, a Nigéria reforçou a sua capacidade naval através da aquisição de quatro navios-balizadores de 54,86 metros da Guarda Costeira dos EUA (USCG, por sua sigla em inglês) no início de 2000. Estas embarcações são usadas para patrulhar o Delta do Níger e proteger contra roubo de petróleo. Foram adquiridos 15 barcos de resposta adicionais para patrulhar as plataformas de petróleo ao largo da costa. Mais recentemente, a Marinha nigeriana adquiriu o Thunder, um barco patrulha de autonomia média de 115,21 metros completo com uma pista para helicópteros. Os marinheiros nigerianos receberam treinamento nos EUA antes da partida do barco patrulha de volta à Nigéria.

ARÁBIA SAUDITA: Os militares modernizaram sua frota de helicópteros, com um investimento em três helicópteros do Exército dos EUA. Isso irá proporcionar à sua Guarda Militar e Nacional um potencial de helicópteros modernos, com o apoio dos programas norte-americanos, até que o programa seja aposentado nos próximos 30 anos.

CINGAPURA: Sua capacidade militar atual serve como uma força estabilizadora para apoiar a autonomia do Estado e para fins humanitários. Uma parceria de longa data e acordos de base militar entre Cingapura e os EUA, que permitem que uma parte da frota CH-47 de Cingapura seja armazenada no estado do Texas. Após o furacão Katrina, nos EUA, Cingapura auxiliou nas evacuações em Nova Orleans, enviando seus helicópteros Chinook (CH-47) para a área.

SRI LANKA: Em 2004, as Forças Militares adquiriram um barco patrulha de autonomia média de 64 metros, o Samudura. A extensão do navio permitiu que a Marinha do Sri Lanka estendesse o seu alcance da costa e interrompesse o fluxo de armas que a organização terrorista, The Liberation Tamil Tigers of Eelam, estava trazendo para o país. O navio também está possibilitando a ajuda aos pescadores à deriva.

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS: O país ampliou sua capacidade de defesa de mísseis aéreos através do Programa de Mísseis Patriot. O programa multibilionário inclui formação, manutenção e assistência de forças dos EUA na criação de capacidade em um relacionamento de longo prazo de militar para militar.

IÊMEN: Sua frota da Guarda Costeira foi modernizada para melhorar o patrulhamento das águas territoriais. O USCG vem apoiando a Guarda Costeira do Iêmen no aconselhamento, treinamento e fornecimento de bens durante a última década. Em 2011, o USCG transferiu dois barcos de patrulha de 26,52 metros para o Iêmen. Equipes da Guarda Costeira do Iêmen receberam treinamento nos EUA sobre sistemas específicos de barcos de patrulha e treinamentos gerais e testes no mar do estado da Louisiana, onde os barcos recentemente adquiridos foram construídos.

Fontes: Força Aérea dos EUA, Exército dos EUA, Guarda Costeira dos EUA,

www.news.com.au, Marinha do Sri Lanka

Ferramentas para combater as ameaças marítimas

Diálogo conversou com o Contra-almirante Joseph W. Rixey, diretor do Escritório de Programas Internacionais da Marinha dos Estados Unidos (IPO, por sua sigla em inglês), sobre como seu escritório apoia a região contra as ameaças marítimas comuns nas Américas.

Diálogo: Quais são as ameaças marítimas compartilhadas nas Américas e como o IPO pode ajudar a resolver alguns desses problemas?

Contra-almirante Joseph W. Rixey: A maioria deles é óbvia: antinarcóticos e antiterrorismo, a liberdade dos mares, anti-pirataria, combate às atividades ilícitas, proteção da zona de atividade econômica, e o quinto, que gostamos de destacar, é a crise humanitária e os desastres naturais.

Nós as ajudamos [nações parceiras] na aquisição de qualquer equipamento e de formação e capacidades necessárias para enfrentar estas ameaças, facilitamos a capacidade parceira. Nós coordenamos com os comandos de aquisição da Marinha, do Corpo de Fuzileiros Navais e da Guarda Costeira para atender às exigências de nosso aliado.

Diálogo: Quais são os fatores mais importantes das parcerias marítimas?

C alte Rixey: A primeira coisa que se desenvolve é a confiança e o respeito mútuo pelas capacidades de cada um. Conhecemos as ameaças, e identificamos objetivos comuns. O que acaba acontecendo é que você chega a um projeto ou a uma capacidade que atende a esses objetivos, e é claro, o importante em relação às parcerias marítimas é a interoperabilidade. De modo que quando surge uma ameaça, qualquer situação emergente, eles podem contar com uma assistência imediata, e que esta assistência será eficiente e coordenada.

Diálogo: Como a transferência de aviões e navios facilita a interoperabilidade com parceiros da América Latina e Caribe?

C alte Rixey: O mecanismo funciona de forma que, se você comercializa produtos similares, se utiliza links de dados de comunicação semelhantes, a interoperabilidade pode ocorrer com equipamento militar comum. A interoperabilidade é associada principalmente à capacidade de comunicar e desenvolver táticas conjuntas interoperáveis, técnicas e procedimentos nas operações de coalizão. Um exemplo está na ajuda humanitária que vimos no Haiti, a capacidade de estabelecer comunicação, que é um mecanismo de interoperabilidade.

Diálogo: O que significa “desenvolvimento cooperativo” nas Américas?

C alte Rixey: Usamos um mecanismo chamado acordo de troca de informações mestres entre os países, e o que tais acordos permitem é uma troca bilateral de informações sobre pesquisas e desenvolvimento.

Então, o que fazemos é a troca de informações. Engenheiros e cientistas trocam programas e discussões básicas que levam às vezes ao desenvolvimento cooperativo de produtos.

Temos realizado muitas trocas de informações. [Por exemplo], um programa de cooperação com o Brasil, com energia verde, a maneira como eles criam a energia verde, a maneira como eles usam seus biocombustíveis e os fabricam, e queremos aprender com eles.

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