Embraer e Boeing decidem colaborar para a construção do avião militar KC-390

Embraer e Boeing fizeram um acordo para colaborar na construção do KC-390, um avião de transporte militar que deve entrar em serviço no final de 2015. (Foto: Infodefensa.com)
A fabricante brasileira de aviões Embraer e sua concorrente norte-americana Boeing decidiram, em 26 de junho, compartilhar conhecimentos técnicos e análises de mercado para o desenvolvimento da aeronave de transporte militar KC-390, da Embraer.
Esta empresa espera capitalizar o vasto conhecimento do mercado mundial de transporte militar da Boeing, incluindo sua experiência no desenvolvimento do Boeing C-17, disse Luiz Carlos Aguiar, presidente da unidade de Defesa e Segurança da Embraer, após assinar o acordo com seu homólogo da Boeing.
“A Boeing tem uma vasta experiência em transporte militar e aeronaves de reabastecimento de combustível em voo, bem como um profundo conhecimento dos mercados potenciais para o KC-390”, acrescentou Aguiar durante uma entrevista coletiva.
Dennis Muilenburg, presidente de Defesa, Espaço e Segurança da Boeing, disse que o C-17, uma grande aeronave de transporte militar utilizada pelas forças aéreas de vários países, e o KC-390, “ajustam-se à perfeição”.
“Nossa meta é buscar novas oportunidades para expandir o mercado do KC-390 e torná-lo tão bem-sucedido mundialmente quanto o C-17”, acrescentou.
A colaboração entre dois dos principais fabricantes mundiais de aeronaves consiste no intercâmbio de informações técnicas e análises conjuntas das perspectivas do mercado para o KC-390.
“Será uma associação entre iguais que não implica remuneração, com ambos os lados desembolsando recursos”, disse Aguiar.
O acordo assinado no dia 26 é uma continuação do compromisso firmado por ambas as companhias em abril para compartilhar tecnologia em eficiência e fabricação de aeronaves, bem como para mais pesquisas sobre biocombustíveis.
A Boeing e a Embraer contribuem atualmente para o desenvolvimento de biocombustíveis para aviação, incluindo um à base de cana-de-açúcar.
Em abril de 2009 a Embraer conseguiu um contrato com a Força Aérea brasileira para entregar 23 aviões KC-390 em sete anos, no valor de US$ 1,3 bilhão.
Espera-se que o novo KC-390, com dois turbo ventiladores, que pode ser reabastecido em voo e será usado para fornecer combustíveis em voo a outras aeronaves, bem como em missões de busca e salvamento, comece a voar em 2014 e entre em serviço no final de 2015.
A aeronave, a maior em construção por parte da indústria aeroespacial brasileira, tem capacidade para transportar 84 militares e sua cabine de carga pode ser adaptada para levar enfermos ou feridos em missões de evacuação médica.
O Brasil, país com o maior peso político e econômico da América Latina e atualmente a sexta economia mundial, apressa-se a tomar uma decisão sobre um contrato de 36 caças para sua força aérea, avaliado entre US$ 4 e 7 bilhões.
Os caças F/A-18 Super Hornet da Boeing concorrem pelo contrato contra os caças Rafale da francesa Dassault e os Gripen da sueca Saab.
O Brasil busca alavancar sua indústria doméstica de armamentos e insiste na transferência de tecnologia em todos os seus acordos de defesa.
Washington, enquanto isto, anunciou que reabrirá a licitação para 20 aviões AT-29 Super Tucano destinados às Forças Armadas do Afeganistão.
A Embraer e sua sócia norte-americana Sierra Nevada haviam vencido esta licitação em dezembro, mas a Força Aérea norte-americana cancelou o acordo em fevereiro, após ameaças legais de sua rival Hawker Beechcraft Corp, dos EUA.
A Boeing esteve presente no Brasil durante 80 anos e vendeu aviões comerciais a empresas aéreas brasileiras desde os anos 60.




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