2012-04-26

Brasil receberá transferência de tecnologia se comprar os caças dos EUA

O secretário da Defesa dos EUA Leon Panetta, disse que Brasil receberá transferência de tecnologia avançada dos EUA se comprar os caças a jato da Boeing F/A-18 Super Hornet para modernizar sua Força Aérea, no dia 25 de abril. (Foto: AFP/Força Aérea Real Australiana/BENJAMIN EVANS)

O secretário da Defesa dos EUA Leon Panetta, disse que Brasil receberá transferência de tecnologia avançada dos EUA se comprar os caças a jato da Boeing F/A-18 Super Hornet para modernizar sua Força Aérea, no dia 25 de abril. (Foto: AFP/Força Aérea Real Australiana/BENJAMIN EVANS)

AFP

O Brasil receberá transferência de tecnologia avançada dos EUA se comprar os caças a jato da Boeing F/A-18 Super Hornet para modernizar sua Força Aérea, disse em Brasília, no dia 25 de abril, o secretário norte-americano da Defesa, em visita ao país.

O F/A-18 Super Hornet disputa com o caça Rafale, fabricado pela francesa Dassault Aviation, e com o Gripen, do fabricante sueco Saab, o contrato brasileiro para a compra de 36 aeronaves multifuncionais de combate, avaliado entre US$ 4 e 7 bilhões.

O Brasil, potência dominante da América Latina e a sexta maior economia mundial, insiste agora na transferência de tecnologia em todos os seus acordos de defesa.

Em uma clara demonstração do desejo de Washington de vencer o lucrativo contrato, Panetta disse: “Esta proposta, que tem o forte apoio do Congresso dos EUA, contém uma transferência de tecnologia avançada sem precedentes, reservada apenas a nossos aliados e parceiros mais próximos”.

“A oferta significa muito mais do que fornecer ao Brasil os melhores caças disponíveis”, acrescentou ele falando em uma academia militar. “Com o Super Hornet, as indústrias brasileiras de defesa e aviação serão capazes de transformar suas parcerias com as companhias norte-americanas, e terão a melhor oportunidade de entrar nos mercados de todo o mundo”.

Em sua primeira visita ao Brasil desde que assumiu o cargo em junho do ano passado, Panetta manteve diálogos com seu homólogo brasileiro Celso Amorim em Brasília, no dia 24 de abril.

Os dois iniciaram o novo Diálogo de Cooperação para Defesa, decisão tomada durante a recente visita da presidente Dilma Rousseff a Washington.

Amorim deixou claro, depois de se reunir com Panetta, que o maior interesse de Brasília era garantir a transferência de tecnologia a partir da nova aliança proposta por Washington.

Panetta disse também que Washington dava as boas vindas à ascensão do Brasil como uma potência global.

“Este é um relacionamento entre duas potências globais, e saudamos o Brasil como uma força em crescimento. Apoiamos o Brasil como um líder global e buscamos uma cooperação mais íntima em defesa”, lembrou.

“Não concordaremos em todas as questões – não há dois países, nem mesmo os mais próximos aliados, que estejam sempre de acordo. Mas creio que nossos interesses comuns são tão grandes, e as possibilidades que vêm de nossa cooperação tão plausíveis, que devemos aproveitar esta oportunidade para construir uma parceria de defesa mais forte para o futuro”, disse Panetta no Brasil.

Além da transferência de tecnologia, Brasília também quer que alguns dos caças sejam montados neste país o que, segundo os analistas, poderá favorecer a Rafale.

Brasília também se aborreceu com o cancelamento, por parte dos EUA, do contrato de US$ 380 milhões com a Embraer para a compra de 20 aeronaves AT-29 Super Tucano desta empresa para o Exército do Afeganistão.

A Embraer e sua parceira norte-americana Sierra Nevada fecharam o contrato em dezembro, mas a Força Aérea norte-americana cancelou a negociação em fevereiro, após uma desavença legal da rival Hawker Beechcraft Corp.

O Pentágono abriu uma nova rodada de negociações do contrato, mas de qualquer forma não será possível a entrega do equipamento antes de 2014.

O diálogo entre Brasil e Estados Unidos também deve abordar outras questões tais como a decisão dos EUA em 2008 de reativar sua Quarta Frota no Atlântico Sul, uma área estratégica e rica em recursos cujos países não desejam qualquer presença militar externa.

Panetta iniciou sua primeira série de visitas à América Latina em 23 de abril na Colômbia, e tem prevista uma ida ao Chile após visitar o Brasil, numa tentativa de aumentar a cooperação militar e os vínculos regionais de segurança.

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