2011-04-15

Jogos Mundiais Militares do Rio servem de preparação para Olimpíadas de 2016

Os judocas brasileiros Ketelyn Quadros e Tiago Camilo faturaram o bronze
					nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. [Foto Cortesia do Comitê Olímpico
					Brasileiro]

Os judocas brasileiros Ketelyn Quadros e Tiago Camilo faturaram o bronze nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. [Foto Cortesia do Comitê Olímpico Brasileiro]

Por Robert Wagner

Ainda faltam cinco anos para os Jogos Olímpicos de 2016, a serem realizados no Brasil, mas em julho próximo, o clima olímpico tomará conta do Rio de Janeiro, e de todo o país, com o início das competições da 5ª Edição dos Jogos Mundiais Militares.

Patrocinado pelo Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM, em francês), com sede em Bruxelas, o evento, a ser realizado de16 a 24 de julho, deve atrair cerca de 6.000 atletas de mais de 100 países competindo em 26 modalidades esportivas. Os encontros anteriores do CISM aconteceram em Roma, Itália (1995); Zagreb, Croácia (1999); Catania, Itália (2003); e Hyderabad, Índia (2007).

Não é por acaso que esses jogos ocorrem a cada quatro anos, caindo sempre um ano antes dos Jogos Olímpicos, uma vez que o evento serve como uma espécie de ensaio para as Olimpíadas. Muitos atletas no topo do pódio no Rio de Janeiro no meio do ano certamente irão brilhar nas Olimpíadas de 2012 em Londres. Na verdade, durante os Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim, quase um terço dos atletas em competição eram membros das forças armadas.

"Países da Ásia à Europa seguem o mesmo modelo de preparação para os Jogos Olímpicos com equipes militares. É por isso que esperamos uma competição de alto nível", explicou o coronel brasileiro Roberto Itamar Cardoso Plum, coordenador de marketing e ação social dos Jogos Militares e membro do comitê de planejamento da competição.

As seguintes 15 modalidades olímpicas serão apresentadas nos Jogos Mundiais Militares: atletismo, boxe, basquete, esgrima, futebol, hipismo, vela, judô, natação, pentatlo moderno, taekwondo, tiro, triatlo, voleibol e voleibol de praia. As outras cinco são de natureza militar: paraquedismo, pentatlo militar, pentatlo naval, pentatlo aeronáutico e orientação.

Nos Jogos Olímpicos de Pequim, 755 atletas e treinadores eram militares, excluindo os participantes chineses, pois a China se recusou a fornecer o histórico de seus atletas. Alguns “campeões de uniforme”, como o nadador francês Alain Bernard, chegou ao topo, ao ganhar o ouro nos 100 metros livre e o bronze nos 50 metros livre.

Outra campeã militar que se saiu bem em Pequim foi a saltadora com vara Yelena Isinbayeva, sargento das forças armadas russas, que foi promovida a capitão depois de ganhar novamente o ouro olímpico em Pequim, assim como havia feito quatro anos antes na Grécia.

Até pedir baixa – o que a impediu de competir – esperava-se que Isinbayeva se saísse bem nos Jogos Militares do Rio de Janeiro. É muito cedo para dizer quem vai brilhar no torneio, uma vez que as seleções estão em andamento. No entanto, vários nomes de peso são esperados para representar as forças armadas de seus países.

Uma modalidade que provavelmente reunirá inúmeros medalhistas olímpicos é o judô, um esporte em que os soldados muitas vezes se sobressaem. Mark Huizinga, capitão da equipe holandesa, ganhou a medalha de ouro no judô nos Jogos de Sidney em 2000, e a medalha de bronze em Atlanta (1996) e Atenas (2004). Da mesma forma, o oficial grego Ilias Iliadis ganhou uma medalha de ouro no judô nos Jogos de Atenas.

A equipe brasileira, que possui muitos campeões do judô mundial, deve arrebatar muitas medalhas no meio do ano no Rio. Sua maior estrela é o sargento Tiago Camilo, 28 anos, duas vezes medalhista olímpico. Camilo ganhou a prata em Sidney, na categoria até 73 kg, e o bronze em Pequim, na categoria até 81 kg. Em Londres, ele vai tentar uma terceira medalha olímpica inédita em uma terceira categoria: até 90 kg.

Camilo destacou a importância dos jogos militares, mais do que um simples teste de funcionamento para os Jogos de Londres.

"O espírito é o mesmo, mas a emoção de representar o Brasil de maneira tão especial, através das forças armadas, cria um enorme sentimento de patriotismo", disse ele. "É claro que nas Olimpíadas e nos Jogos Mundiais representamos nosso país, mas os Jogos Mundiais Militares são mais intensos."

Além de Tiago Camilo, a equipe brasileira de judô nos jogos militares poderá ser representada por outros medalhistas olímpicos, como Flávio Canto, bronze em Atenas; Leandro Guilheiro, que levou o bronze em Atenas e em Pequim; e Ketleyn Quadros, ganhadora do bronze, em Pequim. Outro astro brasileiro é o velocista Vicente Lenílson, medalha de prata no revezamento 4x100 metros em Sidney. Muitos outros atletas que ficaram em primeiro lugar nos jogos Pan-americanos e Mundiais nos seus respectivos esportes farão parte da equipe brasileira.

Vários outros países devem trazer equipes fortes para a primeira competição desportiva militar a ser realizada nas Américas, entre eles China, Rússia, Itália, Alemanha e Coreia do Sul. Com isso em mente, o país anfitrião, Brasil, está retirando todos os obstáculos e garantindo a entrada ao serviço militar para 72 dos seus atletas de elite.

O evento servirá como um teste para o Rio, que também sediará a Copa do mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

"É o maior evento multiesportivo a ser realizado no Brasil em 2011 e abrirá uma década com os principais eventos esportivos no Brasil e no Rio de Janeiro", disse o coronel Cardoso. "Vamos ganhar experiência em logística, infraestrutura e pessoal especializado. Essas são experiências que começaram em 2007, com os Jogos Pan-Americanos. O nosso desafio é terminar entre os três primeiros países, o que será muito difícil, mas somos fortes em esportes como judô, voleibol de praia, futebol, taekwondo e tiro."

O modelo brasileiro de alistar os campeões de atletismo nas forças armadas é comum na Europa. Na França, por exemplo, 90 vagas no serviço militar são reservadas para atletas de alto rendimento. No Brasil, onde os incentivos financeiros ainda não atingiram os níveis europeus, tornar-se um membro das forças armadas é uma opção bastante atraente para atletas de primeira linha.

"Os militares têm um projeto de retenção para depois dos Jogos Militares Mundiais. Esperamos que todos os atletas da equipe estejam interessados em continuar nas forças armadas", disse Camilo. Depois de passar por uma série de exames de seleção, os candidatos recebem um salário mensal de R$ 2.500 para cobrir as despesas.

Camilo disse que prestar serviço militar é "duro", mas compensador. "Estivemos no Rio durante quase um mês, treinando acampamento e marcha. Aprendi a atirar e montar fuzis", disse o judoca, "Foi uma experiência que enriqueceu minha vida."

A 5ª Edição dos Jogos Mundiais Militares também pode deixar como herança uma infraestrutura que será utilizada nos Jogos Olímpicos de 2016. Pelo menos 15 categorias esportivas exigirão o uso de arenas com instalações recentemente melhoradas que foram construídas originalmente para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Outras instalações estão em construção e isso vai contribuir para os jogos de 2016.

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1 Comentário

  • rosana dominguez | 2011-04-28

    que falem mais sobre futebol do Brasil,especial do Cruzeiro.o Barcelona da america do suk,bs.

Fri Apr 18 00:18:53 2014

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