2012-08-17

A economia ilegal e sua repercussão no Peru

De acordo com o Banco Mundial, em 2011 o corte ilegal de árvores causou ao governo peruano mais de US$ 250 milhões de perdas em impostos sobre os lucros, taxas e impostos não pagos e danos ambientais. (Foto: AFP/Dan Collyns)

De acordo com o Banco Mundial, em 2011 o corte ilegal de árvores causou ao governo peruano mais de US$ 250 milhões de perdas em impostos sobre os lucros, taxas e impostos não pagos e danos ambientais. (Foto: AFP/Dan Collyns)

General-de-Brigada Leonardo José Longa López, Exército do Peru

O atual terrorismo no Peru é uma ameaça inteligente à segurança interna, que põe em risco sua estabilidade e desenvolvimento. Este flagelo, de caráter transnacional e que vem evoluindo com o tempo, teve início como uma ameaça de base doutrinária principalmente política, que buscava mudar o sistema de governo. No entanto, atualmente, sua base doutrinária foi substituída por interesses em uma economia ilegal, para o que foi estabelecida uma aliança estratégica com o narcotráfico, adquirindo de forma conjunta capacidades políticas, econômicas, sociais e militares. Seu principal método de ação é transformar-se em uma opção de vida para a população mais pobre do país.

Existe uma simbiose terrorismo-narcotráfico-pobreza, que busca promover uma economia ilegal baseada principalmente na produção de cloridrato de cocaína, sem deixar de lado o corte ilegal de árvores, a mineração informal e o contrabando.

O perigo desta economia ilegal está no fato de que, para a maioria da população pobre, ela se mostrou mais eficiente para solucionar seus problemas; no entanto, passa despercebido o fato de ela estar gerando maiores índices de corrupção na sociedade peruana. Além disto, para garantir seus métodos de ação, a economia ilegal está promovendo o aumento das diferenças sociais e, o que é mais perigoso: está consolidando a criação de uma economia mista, baseada em recursos legais e ilegais, produto principalmente do narcotráfico, através da lavagem de dinheiro. É nesse contexto que as estratégias estabelecidas para substituir os cultivos da folha de coca por cultivos alternativos não têm qualquer prognóstico frutífero.

No Peru, no entanto, vem-se discutindo quem é o inimigo que se deve enfrentar: o narcotráfico, o terrorismo ou os dois juntos? Para isto foi criada uma estratégia integral, abrangendo os campos político, econômico, social e militar, foi criada uma entidade especial para realizar as coordenações e ações entre todos os ministérios. Sua finalidade é recuperar a paz e instaurar o desenvolvimento sustentável no Huallaga e no VRAE, este último estendido ao VRAEM (Vales dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro).

Sob meu ponto de vista, o inimigo a ser combatido no Peru é a economia ilegal, produto do narcotráfico e seus aliados, e a estratégia a ser estabelecida não deve ser concebida de forma integral, e sim reconhecer que estamos enfrentando ameaças que não apenas têm uma capacidade política, econômica, social e militar, mas que também têm uma capacidade transnacional que supera as ações que o Estado peruano, com a melhor das intenções, possa estabelecer.

É preciso ainda que se tenha em consideração que existem diferentes realidades, que devem ser enfrentadas com uma única estratégia (nacional e internacional), visto que existem países produtores de cloridrato de cocaína (prioridade social), países comercializadores (prioridade socioeconômica) e países consumidores (prioridade econômica).

Face ao anteriormente dito, podemos claramente notar que a evolução conceitual e as motivações do terrorismo e do narcotráfico no Peru e em âmbito mundial evoluíram e transformaram-se em ameaças inteligentes, que aprendem com nossos acertos e erros, e rapidamente evoluem para sua autoproteção. Essa realidade exige que mudemos nossa percepção de que se trata de ameaças de âmbito policial, devemos aprender a enfrentá-las com marcos jurídicos especiais, abrangendo as diversas agências e, sobretudo, mudar esse paradigma de que podemos controlá-las com facilidade, o que é um grave erro. Essas ameaças já começaram a controlar a economia legal, elas se socializaram, têm noção do que representam para nosso país, região e hemisfério.

Precisamos refletir sobre isto e começar a trabalhar para derrotá-las com inteligência, criatividade e inovação, para que essas ameaças não repercutam negativamente no desenvolvimento sustentável que o Peru apresenta.

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7 de Comentários

  • Ibaceta | 2013-07-23

    Até que nível do poder chegou a corrupção criada pela economia ilegal? Um ex-congressista já foi capturado. Por que a classe política não enfrenta esta economia que, afinal, é danosa para o Peru? Este artigo é importante e interessante. PARABÉNS.

  • Esteban Loayza | 2012-10-17

    Parece-me que existe gente que não quer aceitar que a economia ilegal é a principal fonte de conflitos no país; a igualdade não chegou e enquanto isso não acontecer a situação vai se agravar; por isso considero acertada a posição do General Longa de propor controlar essa economia paralela que em níveis baixos é benéfica, porém em níveis altos, como os que temos atualmente, é prejudicial.

  • Eddy Yalan | 2012-09-18

    Para Abel Montes, surpreende-se que um intelectual de sua estatura se expresse em termos pouco harmoniosos, por favor eu gostaria que você me ilustrasse com sua sapiência e me enviasse um link dos artigos que vc têm escrito a fim de avaliar seu nível cultural para fazer uma crítica tão forte, meu e-mail é [email protected] Atenciosamente Eddy Yallán

  • abel montes | 2012-09-01

    Este “Artigo” é uma porcaria. Não está bem redigido e demonstra o baixo nível intelectual de Gen. Longa. Enfim. Não tem bibliografia e é uma opinião, não um artigo sério. e que baixo nível o dos generais peuanos!!! Não sabem nem REDIGIR!!!

  • Fernando Zegarra | 2012-08-21

    Que bom seria se o governo do Peru prestasse atenção ao que foi escrito por seu General, lembrando que há muito tempo Tucídides disse que “a nação que não faz distinção entre seus “expertos”(políticos) e seus guerreiros terá suas políticas elaboradas por covardes e suas guerras pelejadas por tontos”

  • Ivo Bernal | 2012-08-20

    As ameaças de caráter hemisférico, como é a aliança narcotráfico-terrorismo, devem ser combatidas com estratégias entre as agências dos países envolvidos, que façam frente a esse problema complexo.

  • [email protected] | 2012-08-19

    criar grupos de ex-militares pagos pelo governo e destruir os narcotraficantes, criar grupos de agentes de pessoas da área de informação que vivam perto de onde os narcotraficantes elaboram seus produtos, checar os que informam tudo por satélite.

Tue Apr 15 22:20:23 2014

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