2012-06-14

Ameaças virtuais na era digital

Redes sociais como o Facebook podem proporcionar aos hackers dados para criar perfis falsos e disseminar informações enganosas. (Foto: AFP/Diptendu Dutta)

Redes sociais como o Facebook podem proporcionar aos hackers dados para criar perfis falsos e disseminar informações enganosas. (Foto: AFP/Diptendu Dutta)

André Luís Woloszyn*

As novas tecnologias surgidas a partir da década de 1990 com o advento da internet são indubitavelmente ferramentas formidáveis que inauguraram um mundo ilimitado, onde tempo e distância desaparecem na interconectividade global. Mas, a exemplo das grandes invenções, criaram também um universo de possibilidades para pessoas, grupos e governos desenvolverem suas guerras secretas na forma de ataques cibernéticos e ameaças virtuais.

Neste contexto, estamos diante de uma nova forma de guerra assimétrica, de um inimigo secreto, sem exércitos, navios, blindados e aviões, mas com igual letalidade, onde hackers e crackers exercem ao mesmo tempo a função de general e soldado e se utilizam de características especiais oriundas destas tecnologias, como rapidez ou mesmo instantaneidade na difusão de seus intentos, quer vírus ou informações falsas sobre qualquer tema. Além disso, estas ações são facilitadas e até mesmo incitadas pela abrangência, invisibilidade, baixo custo, difícil detecção e falta de regulamentação na maioria dos países e organismos internacionais, incluindo a ONU.

Entre as formas mais conhecidas de ataques cibernéticos, está o ciberterrorismo, definido como um ataque virtual executado via internet por meio de vírus, com a finalidade de causar danos a sistemas e equipamentos, e que tem sido amplamente utilizado.

Outra forma é a ciberguerra, cujo método é baseado na derrubada ou retirada do ar de sites governamentais, causando imensos prejuízos aos países afetados, especialmente econômicos, pois são direcionados a bolsas de valores e sistemas de redes bancárias. Quanto aos prejuízos pessoais e materiais, os ataques podem paralisar uma gama de serviços prestados à população, inclusive os considerados essenciais, que em grande parte das metrópoles mundiais estão interligados por sistemas eletrônicos, como a energia elétrica e as comunicações. Estas modalidades são empregadas também como instrumentos de espionagem nos campos da tecnologia militar e industrial e em assuntos considerados segredos de estado.

É desnecessário afirmar que todo este processo já ocorreu e está ocorrendo em alguma parte do planeta em maior ou menor grau, embora ainda não tenha conseguido estabelecer um caos em nível internacional.

O terrorismo e o crime organizado também vêm utilizando amplamente estas tecnologias pelas mesmas características especiais enumeradas. Além do recrutamento de novos jihadistas, os aproximadamente seis mil sites ligados a grupos terroristas internacionais ensinam a fabricar bombas caseiras, a executar sequestros, destruir prédios, utilizar diversos tipos de armas, falsificar documentos, dentre outras ações criminosas. Eles acabam proporcionando livre acesso a qualquer internauta, disponibilizando treinamentos que são ministrados em escolas militares ou academias policiais a grupos de elite, além da possibilidade do intercâmbio de informações.

Com relação às redes sociais como o Orkut, Twitter, Facebook e o MSN, elas são exploradas com o objetivo de confundir e desorientar as pessoas com a veiculação e difusão de falsas informações. Dois episódios recentes ilustram muito bem esta afirmação. O primeiro diz respeito a falsos boatos disseminados sobre diversos locais que estariam sendo alvo de arrastões, incêndios e disparos de armas de fogo. Isto ocorreu durante os ataques do Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, concitando a população a não sair às ruas, fato que contribuiu para criar maior sensação de medo e insegurança e superdimensionar as ações criminosas.

O segundo é relativo às centenas de mensagens com informações distorcidas e desorientadas sobre o grau de radiação em algumas cidades japonesas, após o vazamento na Usina de Fukushima. Algumas mensagens orientavam os japoneses a abandonar imediatamente o país por conta dos altos níveis de radiação nuclear, causando pânico e terror em um ambiente já caótico.

Ainda com relação às redes sociais, existe também um monitoramento realizado por organizações criminosas na identificação e assinalação de prováveis alvos, uma vez que o internauta disponibiliza vastas informações pessoais atualizadas, muitas vezes mais completas do que as existentes em cadastros de órgãos governamentais como os da Polícia e os do Trânsito.

Assim, dados sobre a família, locais que costuma frequentar, onde reside e estuda, gostos e costumes, fotos são valiosos para a elaboração de um perfil destinado a futuros sequestros ou mesmo a uma aproximação, objetivando a prática de outros crimes. Esta é uma das faces preocupantes destas novas tecnologias digitais que apresenta tendências de crescimento mundial e para as quais existem poucos sistemas preventivos.

* André Luís Woloszyn é analista de assuntos estratégicos, especialista em terrorismo, diplomado pela Escola Superior de Guerra

Você gostou deste artigo?

38Rating no
Adicione Seu Comentário Política de Comentários
*informa campo obrigatório

Fri Apr 18 00:18:53 2014

Pesquisa de Opinião

Você acha que o crime organizado é uma ameaça à estabilidade em seu país?

Ver resultados