2012-05-24

Nações Parceiras transmitem o conhecimento

Soldados peruanos participaram do treinamento TCLS antes de exercer a função de professores dos seus colegas salvadorenhos em fevereiro de 2012. (Foto: Major Michael Coote, SOUTHCOM)

Soldados peruanos participaram do treinamento TCLS antes de exercer a função de professores dos seus colegas salvadorenhos em fevereiro de 2012. (Foto: Major Michael Coote, SOUTHCOM)

Claudia Sánchez-Bustamante/DIÁLOGO

Em fevereiro de 2012, 24 soldados salvadorenhos se tornaram paramédicos de combate, recentemente formados por um curso originalmente desenvolvido pelos militares dos EUA. Isso é o auge de um programa para “treinar o treinador”, que foi lançado em conjunto com o Exército peruano e os cirurgiões gerais do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) há um ano atrás.

Em fevereiro de 2011, uma avaliação colaborativa entre líderes médicos e operacionais do SOUTHCOM e do Exército do Peru revelou a importância de reforçar as capacitações da linha de frente da resposta médica dos membros das forças armadas peruanas, que estão posicionados no Vale dos Rios Apurímac e Ene (VRAE), uma região de crescimento de coca e foco de atividades do narcotráfico no centro-sul do Peru.

Na época, o Coronel Doug Lougee, cirurgião geral do SOUTHCOM, desenvolveu o Salva-Vidas dos Combates Táticos (TCLS), um curso médico personalizado, desenvolvido para fornecer aos estudantes competências paramédicas de combate mais avançadas e relevantes para as suas funções específicas em um território remoto e com dificuldades de acesso. O Coronel Lougee e sua equipe também forneceram equipamentos de primeiros socorros usados pelas tropas dos EUA no Iraque e Afeganistão.

Os treinadores do Instituto de Treinamento de Prontidão Médica de Defesa (DMRTI) no Fort Sam Houston, no Texas, participaram no desenvolvimento do que tornou-se um curso médico adaptado e padronizado para ‘treinar o treinador’, voltado para soldados de todos os serviços que lutavam nas linhas de frente e que tinham experiência prévia em posições de liderança ou de ensino.

O curso inicial de TCLS foi formado por 28 soldados peruanos treinados em medicina de combate, primeiros socorros, avaliação de paciente e criação de macas e torniquetes improvisados, entre outros. Para maximizar esse investimento mútuo e com uma visão de um programa a longo prazo, eles receberam dois dias adicionais de competências de ensino para tornarem-se treinadores.

No ano do lançamento inicial do TCLS, o Peru não só havia treinado mais 800 membros do serviço que estavam posicionados no VRAE, como também 3 mil soldados marcados para participarem do curso de TCLS em 2012-2013. O serviço militar desse país sul-americano adotou o curso e fez dele um requisito padrão para todos os membros do serviço daquela região, bem como para aqueles envolvidos nas Operações de Manutenção da Paz (PKO). Aliás, como um sinal de seu comprometimento, os peruanos adquiriram 3 mil equipamentos de primeiros socorros após o primeiro curso, que estão sendo distribuídos para os participantes das turmas seguintes.

Em agosto de 2011, outras nações parceiras, incluindo El Salvador, expressaram seus interesses em receber o mesmo treinamento. Ao invés dos treinadores originais americanos, o SOUTHCOM, juntamente com a equipe dos EUA em El Salvador e os líderes militares peruanos e salvadorenhos, adotaram uma iniciativa de “transmissão do conhecimento”. Os peruanos ensinaram o curso a um grupo de 24 militares salvadorenhos. Durante essa oportunidade, a participação dos americanos foi limitada ao papel de observadores.

“Foi a primeira vez que o pessoal militar peruano treinou militares da nação parceira em áreas relacionadas à medicina de combate para que eles possam replicar o curso em seu país”, disse o Comandante Guillermo Cedrón Vera, o coordenador para o curso no Peru e paramédico na Força Aérea peruana.

O primeiro grupo salvadorenho treinado seguiu o exemplo de seus homólogos peruanos e continuou a ramificar as lições aprendidas, passando-as para seus irmãos militares. Doze instrutores salvadorenhos viajaram para o Peru e aprimoraram suas capacidades de ensino através da prestação de ajuda em um treinamento liderado pelos peruanos para mais 60 membros do serviço ligados ao VRAE. Eles então voltaram para seu país de origem e continuaram a ensinar. Naquela ocasião, eles ensinaram para mais de 100 salvadorenhos membros do serviço em dois cursos seguidos, para grupos de soldados liderados pelo Afeganistão e Líbano.

A Tenente Diana Reyes, salvadorenha e membro do serviço, participou no curso inicial em fevereiro de 2012 e disse: “Soldados desenvolvem habilidades [durante o curso de treinamento] que são muito úteis em qualquer tipo de missão e operação de paz para as quais são designados… o que melhora a eficácia de combate de qualquer membro do serviço.”

Os militares salvadorenhos atualmente têm 200 membros do serviço que são treinados em TCLS. Esses esforços são direcionados às Operações de Manutenção da Paz. A iniciativa os posicionou como o primeiro país da América Central a ter a especialidade de paramédicos de combate como parte de seu treinamento militar.

“Tem sido extremamente gratificante ver nossos parceiros em El Salvador e Peru dividindo suas experiências”, disse o Coronel Lougeee. “O que é muito bom sobre o programa TCLS é que agora vemos maior desenvolvimento de uma capacitação regional nessas habilidades críticas de campo de batalha”, disse o cirurgião geral.

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