2012-04-09

Mulheres que voam alto no Equador

As aspirantes Johana Belén Santacruz (esq) e María José Narváez (dir) são as primeiras mulheres equatorianas formadas pilotos de combate. (Foto: Diálogo)

As aspirantes Johana Belén Santacruz (esq) e María José Narváez (dir) são as primeiras mulheres equatorianas formadas pilotos de combate. (Foto: Diálogo)

Diálogo

A aeronave T34 pousou elegantemente na pista da Escola Superior Militar de Aviação do Equador, entre os aplausos dos cadetes e oficiais que observavam cada manobra do piloto. Nessa manhã de fevereiro de 2011, Johana Belén Santacruz realizava seu primeiro voo solo e, ao mesmo tempo, deixava seu nome inscrito como a primeira mulher piloto de combate nos 90 anos da história da Força Aérea equatoriana.

Minutos depois, teve que caminhar com uma cruz nas costas e seus companheiros de classe a “batizaram” com o tradicional banho com óleo de motor de avião, parte do ritual de estreia como piloto.

No entanto, a jornada de Santacruz para transformar seus sonhos em realidade começou muitos anos antes, quando ficou fascinada com as ousadas acrobacias dos aviões militares durante um espetáculo aéreo em Ibarra, sua cidade natal. “Naquele dia soube que queria ser piloto… e não piloto comercial, mas de aviões militares”, lembra.

Mas naquele tempo a Força Aérea equatoriana não aceitava mulheres na Escola Superior Militar de Aviação (ESMA) Cosme Rennela B. Por isto, quando Santacruz terminou seus estudos pré-universitários, em 2005, foi para o Chile estudar engenharia aeronáutica na Universidade Técnica Federico Santa María, em Santiago.

Dois anos depois, um telefonema de seu pai mudou sua vida para sempre. Finalmente a ESMA passou a admitir mulheres no programa de treinamento de pilotos. Em questão de dias, Santacruz arrumou as malas, despediu-se dos amigos e voltou para o Equador determinada a se tornar piloto de caça.

A prova de admissão da escola não foi brincadeira. Centenas de mulheres apresentaram-se para os extenuantes exames físicos, médicos, psicológicos e acadêmicos. No final, apenas 49 foram aceitas para várias disciplinas e apenas algumas entraram no programa de pilotos, entre elas Santacruz e María José Narváez.

Narváez, que terminou seus estudos pré-universitários em 2007, pensara em viajar para a Argentina para levar adiante seus estudos de piloto. Foi sua mãe quem lhe falou sobre a ESMA e as oportunidades de estudar no Equador. “Sabia que não seria fácil ser aceita em uma cultura que sempre girou em torno dos homens. Mas fui perseverante, porque queria ser piloto”, explicou a jovem.

Durante os quatro anos do curso na instituição acadêmica, Santacruz e Narváez, junto com outras cadetes mulheres que aspiravam a se tornar aviadoras, destacaram-se nos estudos.

Primeiramente, treinaram com aeronaves Cessna A150, antes de passar para o monomotor T-34, que a escola utiliza para ensinar controle de voo, decolagem e pouso, acrobacias, instrumentos, navegação, manobras básicas e, por fim, o uso de aviões de combate como armas.

“Todo o suor e as lágrimas valeram a pena”. Vocês não sabem como é emocionante pilotar um avião. É algo indescritível”, admitiu Santacruz. Em outubro de 2011, Santacruz e Narváez formaram-se como as melhores de sua classe e a primeira conquistou a patente de Brigadier Mayor, mérito reservado a quem tem as melhores notas da promoção.

Agora já formadas e com patente de oficial segundo tenente, as duas mulheres estão aprimorando suas habilidades com um ano extra de treinamento de voo. Depois disto, a Força Aérea equatoriana determinará que tipos de pilotos elas serão: de busca e resgate, de transporte ou pilotos de caça.

“Continuaremos desbravando o caminho para os que nos seguirem”, disse Narváez.

Quanto ao futuro, os sonhos destas jovens equatorianas voam tão alto como as aeronaves que pilotam. “Depois de ser piloto de caça, espero ser comandante em chefe da Força Aérea”, disse Santacruz. “Um dia também gostaria de ser general… Na verdade, por que não chefe das Forças Armadas?” pergunta-se Narváez.

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