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2012-01-27

Combatendo o narcotráfico com fiéis aliados

Um dos cães anti-narcóticos espera a ordem de seu treinador para realizar um treinamento de busca na Escola de Formação Canina da Força Aérea da Colômbia. Foto: Claudia Sánchez-Bustamante/DIÁLOGO.

Um dos cães anti-narcóticos espera a ordem de seu treinador para realizar um treinamento de busca na Escola de Formação Canina da Força Aérea da Colômbia. Foto: Claudia Sánchez-Bustamante/DIÁLOGO.

Claudia Sánchez-Bustamante/DIÁLOGO

Sacha serviu à Marinha Nacional da Colômbia durante quase toda a vida; ela era mais um soldado nas frentes de combate contra os grupos terroristas do país sul-americano. Havia sido treinada para encontrar explosivos e minas antipessoais já no início de sua carreira militar.

Por ser especialista nesta área, Sacha participou de aproximadamente 3 mil missões em seus seis anos de serviço, durante as quais detectou mais de 100 minas antipessoais e salvou incontáveis vidas humanas.

Durante a Operação Sodoma, a operação militar realizada pelo Exército colombiano em setembro de 2010, que levou à morte do líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vulgo “Mono Jojoy”, Sacha encontrou oito minas antipessoais próximas ao abrigo do líder guerrilheiro. Mas os terroristas lançaram uma granada muito perto dela, e a explosão causou sua morte prematura. Sacha foi a única baixa da instituição na Operação Sodoma.

Sacha era um cão labrador preto de sete anos, treinado pelo Exército da Colômbia desde seus primeiros tempos de vida, e representava a metade de sua equipe – um guia humano e um cão lutando pela vida nas operações K-9 do Exército.

Seu parceiro humano, que não revelou o nome durante a entrevista em homenagem ao labrador preto no programa Vamos Colombia, na emissora local de televisão, lembrou Sacha como “um cãozinho doce, brincalhão e muito esperto, inteiramente dedicado a seu trabalho”.

O Departamento K-9 do Exército colombiano tem atualmente 3.500 cães em atividade, como Sasha, nos 13 centros de treinamento distribuídos pelas principais cidades do país. As unidades são subordinadas à Diretoria Militar de Engenheiros, responsável pelos treinamento e pela escolha das duplas que enfrentam os desafios impostos pelo inimigo, bem como pela natureza, desde 1997.

Os cães são especificamente treinados para uma das cinco especialidades, que incluem: detecção de minas e narcóticos, busca e salvamento, segurança e agilidade de instalações.

Cada cão é entregue a um parceiro humano pela vida toda, e juntos eles formam as equipes que só se dissolvem quando um dos membros morre. “Ele é como um irmão no patrulhamento. É mais um soldado”, concordam muitos entre os oficiais não comissionados (NCOs) e soldados treinados para as diversas especialidades.

O treinamento é feito em cinco fases de adaptação operacional e de terreno, todas necessárias para que as equipes estejam totalmente preparadas para cada campo de especialização. Essa preparação começa sob a forma de jogos assim que os cães completam um ano de idade. As fases são:

Associação de cheiros: os brinquedos do cão são impregnados com diferentes cheiros, incluindo narcóticos, explosivos, etc., e os animais aprendem a reconhecê-los através de um estímulo positivo. Rastreamento ponto a ponto: utilizado no campo de batalha, na frente de toda a tropa. Rastreamento restrito à coleira ou guia: habitua o cão a só obedecer às ordens do dono através desses dispositivos. Adaptação a situações extremas: consiste em familiarizar os cães com sons altos, texturas de terrenos de diferentes tipos, diferentes ambientes, clima, etc. Registro sistemático de área: para que os cães aprendam exatamente onde devem procurar, como realizar as buscas e o que devem procurar e encontrar.

Durante uma visita ao Centro de Treinamento e Retreinamento de Cães da Escola de Engenharia do Exército Colombiano (ESING), em Bogotá, Diálogo conversou com o oficial não comissionado responsável pelo programa de cães e viu várias equipes em suas sessões de treinamento.

O Primeiro-Sargento Rafael Viveros, diretor do programa de busca e apreensão, explicou que o uso de cães nesse tipo de tarefa não é apenas um procedimento lógico, mas também traz um grande benefício à força porque “[os cães] possuem 250 milhões de células olfativas, contra cinco milhões do mesmo tipo de células humanas. Além da agilidade e velocidade, os animais são muito importantes quando se trata de encontrar uma pessoa necessitando de ajuda”.

O Exército recruta ou compra os cães de canis de diversas raças, especialmente labradores ou golden retrievers, devido a sua agilidade, inteligência, facilidade de aprendizado, boa disposição e, em geral, em função dos resultados positivos que já demonstraram. O Exército também trabalha com pastores alemães e belgas.

Ao mesmo tempo, os membros do Exército buscam perfis específicos no momento de encontrar os parceiros humanos. São feitos testes psicológicos que escolhem os indivíduos mais ligados aos animais e a seus trabalhos.

A duração dos cursos para os cães e seus treinadores é variável. Por exemplo, os cursos para guias de busca e apreensão e detecção de explosivos duram 14 semanas cada, divididas em 48 horas de aulas semanais para o treinamento, tais como técnicas de detecção de explosivos, criminologia, primeiros socorros, técnicas de treinamento canino, explosivos, conservação e manutenção de canis e armamentos.

Igualmente, os cursos elaborados para os cães duram três meses, nos quais o filhote aprende a reconhecer cheiros através da repetição e do reforço positivo. Durante o treinamento o cão corre em um campo onde cheira diversos recipientes de metal espalhados até que possa identificar corretamente aquele que contém uma pequena quantidade de explosivos. Uma vez identificado o explosivo, o cão senta-se junto a ele e assim passivamente transmite um sinal ao treinador de que a busca foi bem-sucedida. Dependendo do caso, o treinador o recompensa com um dos brinquedos, o que por sua vez lhe serve como um estímulo, e foi previamente impregnado com o cheiro da substância explosiva que ele está sendo treinado para reconhecer.

Segundo dados do Exército Nacional da Colômbia e estatísticas do Programa Presidencial para Ação de Minas, 1.079 membros das Forças Armadas morreram entre 2000 e 2009, e 3.711 foram feridos, muitos deles mutilados. “A participação das equipes de cão e soldado vem sendo muito eficiente para nosso Exército porque o percentual de baixas e pessoas feridas por explosivos – tanto entre nossos soldados quanto na população civil, teve uma grande redução”, disse o Capitão Eliécer Suárez, chefe do Departamento de Cães da ESING.

Durante a busca e apreensão de minas antipessoais no campo de operações, os cães são treinados para farejar uma determinada área até que consigam identificar o local exato onde foram enterradas as minas. Tal como ocorre no curso de reconhecimento de narcóticos, eles sabem que quando cumprirem seu objetivo devem avisar ao treinador com um sinal passivo. Fazem isto simplesmente ao se sentarem perto do objetivo. “Um cão dificilmente comete um erro”, garante o Sargento Viveros, sentado perto de Zeus, seu pastor alemão especializado em busca e apreensão.

Independentemente da especialidade de cada cão, ou do local onde eles são treinados, fica óbvio para cada um dos profissionais colombianos que se dedicam ao trabalho com cães que essa tarefa os tornou mais humanos.

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1 Comentário

  • MARTHA ISAZA | 2012-09-24

    QUERIA FELICITÁ-LOS PELO QUE FAZEM COM ESTES ANIMAIS VOCÊS CONSEGUEM CONVERTÊ-LOS EM OUTROS HERÓIS COMO VOCÊS O SÃO. QUERIA PERGUNTAR O SEGUINTE EU DOEI UM CACHORRO A UM CENTRO CANINO, QUERO SABER SE PELO MENOS TENHO ALGUM DIA COMO SABER DELE, ESTAR TRANQUILA QUE ELE ESTÁ BEM SE PODEM ME MANDAR FOTOS DE SEUS PROGRESSOS. SEI QUE TOMEI A MELHOR DAS DECISÕES MAS NÃO POSSO VOLTAR A VER O CACHORRO? OU EM ALGUM MOMENTO DARIAM A MIM PERMISSÃO PARA SOMENTE VISITÁ-LO? AGRADEÇO-LHES MUITÍSSIMO PELA RESPOSTA QUE POSSAM ME DAR.