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2011-04-05

Prisioneiras de guerra provam que mulheres podem suportar sofrimento de guerra

Rhonda Cornum, agora general, era uma entre três soldados a sobreviver ao acidente de 225 km/h. (Staff Sgt. Dean Wagner / DOD Photo)

Rhonda Cornum, agora general, era uma entre três soldados a sobreviver ao acidente de 225 km/h. (Staff Sgt. Dean Wagner / DOD Photo)

Alexandra Hemmerly-Brown / Exército dos EUA

Estava tão frio que a Major Rhonda Cornum conseguia ver o ar que exalava quando acordou no quarto dia de luta em terra durante a Operação Tempestade de Deserto.

A data era fevereiro de 1991 e a cirurgiã de voo lutou contra a fria manhã do Iraque vestindo seu casaco e bebendo alguns copos de café.

Ela havia partido em um voo de rotina para levar passageiros, quando a tripulação do seu Black Hawk UH-60 recebeu uma ligação avisando que sua missão havia mudado e que agora seria um resgate. Aquela ligação mudou a vida de Cornum para sempre.

Um piloto de caça, Capitão da Força Aérea Bill Andrews, levou um tiro atrás das linhas inimigas e fraturou a perna. A tripulação de Cornum era a aeronave mais próxima.

“Infelizmente voamos sobre uma grande casamata cheia de armas e atiraram no helicóptero, arrancando sua cauda … e eles atiraram em mim”, disse Cornum, agora general”.

Cornum era uma entre três soldados a sobreviver ao acidente de 225 km/h. Ela quebrou dois braços, recebeu uma bala no ombro, e estirou o joelho, tudo para ser arrastada do local do acidente e levada para um cativeiro no Iraque.

Permaneceu presa em um cela que fica em um subsolo primitivo por seis dias, o que se denomina de condições “austeras”. Também foi sexualmente molestada por um soldado iraquiano durante o transporte para a prisão, mas disse que ter sido molestada não era nada comparado à lista de coisas que deram errado naquele dia.

“A molestação sexual não foi nada para mim”, assegura. “É tão irrelevante agora quanto foi no momento.”

Cornum disse que foi mais surpresa do que ferida emocionalmente com o ataque – ela estava suja, ensanguentada e seriamente ferida.

“Se não fosse por aumentar a possibilidade de permanecer ali por mais tempo, e se não fosse torturante, e não fosse um risco de vida, então realmente não importava”, explicou Cornum.

No dia 6 de março de 1991, Cornum foi libertada juntamente com 23 outros prisioneiros de guerra durante negociações de final de guerra.

A história de Cornum é tão relevante hoje em dia quanto era há 20 anos atrás. Poucas mulheres foram prisioneiras de guerra.

De Florena Budwin, uma mulher da Guerra Civil que se disfarçou de homem para unir-se às tropas e foi presa em um campo de prisão aliado, às 67 enfermeiras do exército mantidas em cativeiro pelos japoneses durante a II Guerra Mundial, existiram menos de 100 mulheres militares que foram prisioneiras de guerra na história americana.

Enquanto ainda se debate a questão de mulheres assumirem funções durante o combate, Cornum diz que acredita que a maior contribuição da sua carreira foi simplesmente a prova de que mulheres militares conseguem perseverar em situações difíceis.

Ainda que Cornum sempre tivesse se considerado uma pessoa forte, ela disse que sua experiência como prisioneira de guerra confirmou sua convicção de que era resistente.

“Isso ajuda a colocar todo o resto em termos comparativos”, disse Cornum sobre seu tempo no cativeiro. “Fez com que reconhecesse sua força, quando anteriormente essa não havia passado por muitas provações”

Cornum completou mais cinco anos de treinamento médico depois de ter sido libertada e enquanto estudava para o teste muitos de seus colegas diziam que era a experiência mais estressante e pior de suas vidas – Cornum discordava.

“A razão pela qual passei bem pela experiência de prisioneira de guerra é a mesma razão pela qual me formei bem na universidade e pela qual sobrevivi ao capotar com o meu carro – é que encaro todos os problemas da mesma maneira, não importa o quão ruim seja, sempre vai melhorar”.

A general é atualmente a diretora de aptidão física abrangente dos soldados, a autoridade do exército em treinamento de resistência e nos últimos 20 anos escreveu um livro, tornou-se uma urologista e recebeu um doutorado em filosofia.

Cornum disse que não foi criadora da idéia de como incutir resistência, mas que advogou fortemente para que isso fosse ensinado antes que algo traumático acontecesse, melhor do que depois de ocorrido.

Ela compara o ensinamento de resistência a um treino de maratona: nem todos que treinam terminam a corrida, mas aqueles que treinam têm melhor chance de sucesso.

“Portanto você tem que treinar primeiro”, disse ela.

“Sou evidência de que funciona”, Cornum ressaltou.

Pouco após o resgate de Cornum, em 1991, acabou a restrição para mulheres pilotarem aeronaves em combate. Em 1993 o Congresso rescindiu a lei de isenção de mulheres em combate, gerando 250 mil empregos que não existiam para mulheres.

No início do mês de março passado, a Comissão de Diversidade da Liderança Militar recomendou para o presidente que o DoD (Departamento de Defesa dos EUA) eliminasse todas as políticas de exclusões de combate para mulheres.

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1 Comentário

  • Sylvia Lenz | 2011-08-10

    Mulheres são esquecidas, se alemãs, então... muitas mulheres socialitas que forma prestar serviço na e pela URSS durante o nazismo, após a 2a.GM, durante anos foram impedidas de retornar para a Alemanha. A sua nacionalidade (ou mesmo se naturalizadas soviéticas) era motivo para serem enviadas para os campos de trabalho forçados, muitas lá morreram, outras voltaram doentes e envelhecidas. Mas esta foi a vida de mulheres alemãs, nascidas em uma pátria derrotada, ocupada e cindida, sem direito a ter voz na História...