2012-04-01

Desminagem: sem margem de erro

Engenheiros do Exército colombiano usam equipamentos de proteção e
                    transportam detectores de desminagem antes de removerem as minas terrestres no
                    leste de Antioquia, na Colômbia, em abril de 2011. [AGENCE
                    FRANCE-PRESSE]

Engenheiros do Exército colombiano usam equipamentos de proteção e transportam detectores de desminagem antes de removerem as minas terrestres no leste de Antioquia, na Colômbia, em abril de 2011. [AGENCE FRANCE-PRESSE]

DIÁLOGO

As Forças Armadas do Peru e do Equador voltaram ao campo de batalha após uma disputa territorial que durou vários anos. Desta vez, eles não se encontram como inimigos, mas com

a mesma insígnia em seus uniformes e um objetivo em comum. Trocam informações, treinam juntos e usam o mais moderno equipamento de proteção para retirar as minas de sua fronteira comum.

“É algo sem precedentes”, disse Wilyam Lúcar Aliaga, coordenador geral do Centro Peruano de Ação Contra as Minas Antipessoais (Contraminas, por sua sigla em espanhol). Para este funcionário público, a desminagem tem provado ser uma excelente ferramenta para o desenvolvimento de uma confiança mútua entre os dois exércitos, algo que ele considerava difícil de alcançar. “Quando paramos para pensar, um país com o qual tivemos um problema sério agora permite que um avião peruano entre no [seu território] caso um acidente aconteça”, disse ele.

O Contraminas, que está subordinado ao Ministério das Relações Exteriores, é o órgão responsável pela coordenação de estratégia humanitária e atividades de desminagem no Peru. Estas operações, realizadas pelas Forças Armadas e Polícia Nacional do Peru, não são apenas caras, mas exigem também treinamento extensivo e recursos como o uso de tecnologia e cães. Como um dos Estados Partes da Convenção de Ottawa, o Peru procura cumprir com o compromisso de erradicar as minas terrestres antipessoais (APL, por sua sigla em inglês) de seu território até 1° de março de 2017.

O Coronel da Força Aérea Peruana Mario Espinoza, que é também secretário técnico substituto do Contraminas, explicou que a remoção e destruição das APLs ocorrem na fronteira norte com o Equador, assim como do lado de fora das prisões e de torres de alta tensão elétrica em todo o país. No passado, o governo peruano viu a necessidade de colocar APLs em torno das muralhas de presídios de segurança máxima, no intuito de evitar a fuga de terroristas presos e também para proteger a infraestrutura elétrica de ataques de organizações terroristas.

Em 2011, o Contraminas destruiu 1.495 APLs colocadas por ambos os países na Cordilheira do Condor. As autoridades governamentais peruanas projetam que o número de APLs removidas em 2012 será maior graças ao aperfeiçoamento de recursos. Desde janeiro de 2012, a organização relatou 335 vítimas de minas terrestres, entre elas 142 civis, 118 militares e 75 policiais.

RECURSOS IMPORTANTES

Os métodos de remoção de minas no Peru iniciaram uma nova fase de modernização. Especialistas em desminagem usam cães e máquinas em vez de apenas a remoção manual, tornando o processo 11 vezes mais rápido, de acordo com Lúcar Aliaga. O Cel Espinoza disse que o uso de cães na detecção torna o trabalho mais eficiente. “Detectores identificam metais, e no caso dos cães, eles encontram o explosivo”, disse ele. As máquinas usadas são os carregadores frontais, que foram adaptados especificamente para operações de remoção de minas terrestres. A área onde o motorista senta foi reforçada por proteção. Depois que a máquina cava a terra, uma peneira de solo desenterra a mina terrestre, em seguida, a equipe de desminagem avança para destruí-la.

Dave Bruce, gerente de programa da RONCO Consulting Corporation, uma organização internacional especializada em ações de desminagem humanitária e comercial, além de descarte de artefatos, partilhou sua experiência com o governo peruano. Em janeiro de 2012, ele deixou o país porque as autoridades peruanas já prosseguiam a missão com seus próprios peritos e financiamento interno. Bruce disse que o contrato com a RONCO; a compra e o treinamento de oito cães detectores de minas; a formação médica e de desminagem, além do helicóptero que está sempre presente no caso de uma evacuação médica de emergência foram possíveis devido a um programa financiado pelo Departamento de Estado dos EUA, que começou em 2009. Detectores de metal, diversos veículos, equipamentos de proteção individual e médico – tais como coletes especiais e capacetes com viseiras transparentes – também foram doados.

Os estagiários devem primeiro submeter-se a cinco semanas de aulas para aprender a história das minas terrestres, como foram produzidas e onde foram colocadas. Além disso, “eles precisam estar fisicamente em forma porque o trabalho é bastante difícil, às vezes pode fazer muito calor, pois a floresta é muito quente e úmida”, disse Bruce.

Lúcar Aliaga disse que a assistência do governo dos EUA permitiu a renovação de um centro de formação de desminagem situado na província de Bagua, região amazônica do Peru. Em 2010, também houve a inauguração de um centro nacional de treinamento de desminagem na cidade de Pimentel, ao norte de Lima. Ele aguarda com expectativa o dia em que o novo centro de desminagem possa servir a toda região, protegendo os agricultores e pastores, a grande maioria crianças, das minas terrestres plantadas perto de onde eles trabalham.

Colômbia produz o seu próprio detector de minas

A Indústria Militar Colombiana e a Universidade dos Andes estão desenvolvendo o primeiro detector de minas terrestres, que vai determinar a localização de minas fabricadas com metal e dispositivos explosivos improvisados (IEDs, por sua sigla em inglês), plantadas por grupos terroristas.

Em fevereiro de 2012, o primeiro detector de minas dual, que integra um radar de penetração no solo (GPR, por sua sigla em inglês), estava na segunda fase, das quatro etapas de desenvolvimento do projeto. Este tipo de radar exibe imagens do solo e proporciona a oportunidade de identificar um objeto enterrado. Na Colômbia, cerca de 9.594 pessoas foram afetadas pelas minas antipessoais terrestres nos últimos 21 anos, entre elas, civis e militares. Civis representam cerca de 3.614 das vítimas (35 por cento), das quais cerca de1.000 eram crianças. As outras 5.980 vítimas incluem integrantes da polícia e das forças militares.

Daniel Ávila Camacho, diretor do Programa Presidencial para a Ação Integral contra as Minas Antipessoais, disse a Diálogo que o principal método utilizado em seu país para a remoção de minas terrestres é o detector de metais, devido à topografia do território. Consequentemente, são grandes as possibilidades de o novo detector de metal GPR auxiliar a Colômbia a derrotar as minas e os IEDs de uma vez por todas.

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