2011-07-01

Falsilficação de dinheiro reproduz modelos do comércio das drogas

Um agente da polícia peruana exibe notas de dólares americanos falsificadas
					em Lima, em setembro de 2010. Aproximadamente US$ 1 milhão de soles novos do
					Peru falsificados foram encontrados pela polícia em um escritório de impressão
					ilegal em Lima. [Reuters]

Um agente da polícia peruana exibe notas de dólares americanos falsificadas em Lima, em setembro de 2010. Aproximadamente US$ 1 milhão de soles novos do Peru falsificados foram encontrados pela polícia em um escritório de impressão ilegal em Lima. [Reuters]

El Comercio, InSight, site do canal do National Geographic, revista Time

As organizações criminosas estão aprendendo novas formas de realizar a lavagem dos milhões de dólares advindos dos lucros da droga. Uma dessas formas é a falsificação. É mais fácil, nos dias de hoje, criar e lavar notas falsas, fazendo com que várias pessoas as repassem aos fornecedores de produtos e serviços.

Nos últimos dois anos, a Colômbia foi ultrapassada pela máfia de falsificadores peruanos, que se tornou a distribuidora número 1 no mundo do dinheiro falso, usando as mesmas táticas adotadas por traficantes de drogas. Na América do Sul, falsificadores empregam pessoas, as chamadas “mulas”, para o contrabando de notas falsas na bagagem. Outras táticas incluem a ocultação de notas falsificadas no próprio corpo, em itens como cartões de mensagens e em pacotes enviados via correios locais ou serviços postais internacionais, informou o site do canal National Geographic. Esses métodos de distribuição imitam aqueles usados para traficar drogas, e os lucros derivados da falsificação de dinheiro chegam a aproximadamente US$ 160 bilhões, de acordo com o InSight, um projeto com bases em Washington, D.C. e Bogotá que monitora o crime organizado na américa Latina.

Recentes esforços de interdição publicados pelo jornal peruano El Comercio mostram os vários tipos de moedas que estão sendo falsificadas no peru, incluindo bolivianos, pesos chilenos, euros, soles novos peruanos, dólares americanos, e bolívares da Venezuela. O dinheiro falsificado é estampado com máquinas impressoras, e enviado principalmente para a Costa Rica, Equador, México, Estados Unidos e Venezuela.

O comércio de dinheiro falso na América do Sul tem uma história paralela com o tráfico de drogas ilícitas na região. As redes criminosas colombianas, que por décadas fizeram do país um líder de falsificação na América do Sul, usam as mesmas rotas para remessas de cocaína em direção ao norte através da América Central, de acordo com um relatório de 2006 do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Apesar de as interdições do governo continuarem a desmantelar essas operações, leis mais duras são necessárias para processar os infratores, de acordo com a Ordem dos Advogados de Lima. “É preciso que haja mais controle e que as sentenças sejam mais dissuasivas. Não se trata de ter leis frouxas ou trabalhar com punho de ferro, mas de ter uma penalidade que seja justa e que se ajuste ao crime”, disse José Antonio Ñique, presidente da Ordem dos Advogados de Lima, em entrevista à revista Time.

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