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2012-08-20

Comandante das forças militares da Colômbia ressalta conquistas do seu país

O Gen Alejandro Navas, comandante geral das Forças Militares da Colômbia, e o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Douglas Fraser, comandante do SOUTHCOM, fizeram declarações à mídia internacional durante a Conferência Sul-Americana de Defesa, em julho de 2012. (Foto: Marcos Ommati/Diálogo)

O Gen Alejandro Navas, comandante geral das Forças Militares da Colômbia, e o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Douglas Fraser, comandante do SOUTHCOM, fizeram declarações à mídia internacional durante a Conferência Sul-Americana de Defesa, em julho de 2012. (Foto: Marcos Ommati/Diálogo)

Como anfitrião da 4ª Conferência de Defesa da América do Sul (SOUTHDEC 2012), o General Alejandro Navas, comandante-geral das forças militares da Colômbia, concedeu uma entrevista coletiva com o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Douglas Fraser, comandante do Comando Sul dos EUA. Nessa oportunidade, o General Navas ressaltou as conquistas da Colômbia e as lições que seu país pode agora compartilhar com os países vizinhos do Hemisfério Ocidental. A seguir, Diálogo reproduz as respostas do General Navas a jornalistas nacionais e estrangeiros que compareceram ao evento, em julho de 2012.

Qual foi o papel da Colômbia em termos de segurança ante os países vizinhos que participaram da Conferência?

General Alejandro Navas: A comunidade internacional reconhece os avanços do Estado colombiano em termos de segurança, com a presença de suas forças militares e policiais, o que faz de nosso país uma evidente referência nesta questão, em um mundo globalizado e onde as ameaças à democracia são latentes. Um testemunho desta afirmação é a acolhida que teve esse encontro, do qual participaram altos comandos militares de dez países do hemisfério e suas delegações. A manhã foi frutífera e a Colômbia, na qualidade de país coanfitrião da conferência, teve a oportunidade de mostrar às Forças Armadas de países irmãos e amigos o plano de campanha Espada de Honra, iniciativa estratégica de nossas forças militares que despertaram os melhores comentários. Abordamos temas específicos para reavaliar as políticas e ações que nos permitam realizar a transformação militar na luta contra as ameaças à segurança continental. Esse intercâmbio de experiência servirá de marco de colaboração para enfrentar os novos desafios à estabilidade política e social de nossos países americanos. Essa quarta edição da Conferência de Defesa da América do Sul permitiu-nos fomentar o diálogo e abrir fontes de entendimento para confrontarmos unidos e eficazmente aquelas ameaças comuns contra a segurança de nossos países, as redes do crime transnacional dedicadas ao tráfico de entorpecentes, o comércio ilegal de armas, a assistência humanitária em desastres naturais e o tráfico de seres humanos, para citar algumas modalidades, sem esquecer a exportação de práticas terroristas e a afirmação de que o crime não tem fronteiras.

Quais são os resultados dos últimos quatro anos de trabalho apresentados nesta conferência?

Gen Navas: Nos últimos quatro anos, as relações entre os países do hemisfério em termos de luta contra o narcotráfico e o narcoterrorismo trouxeram importantes resultados. Vimos o número de capturas de criminosos que ultrapassaram as fronteiras de seus países, em nosso caso, de nosso país, que foram capturados em outros países. Funcionaram a extradição transnacional e os acordos entre os países, o que facilitou os julgamentos e o cumprimento de penas nos respectivos países, especialmente nos EUA, onde se cometem crimes quando a droga é levada àquele país. Da mesma forma, em termos de inteligência para as operações de interdição, sejam aéreas ou marítimas, há operações diárias do gênero, inclusive operações contínuas, onde são percorridas as rotas, sejam elas marítimas, terrestres ou aéreas, e o outro país, o país vizinho, recebe as informações e continua o processo até proceder à detenção. Existe uma grande quantidade de entorpecentes e insumos capturados com base nessas informações e na cooperação bilateral ou multinacional. Todos esses apoios trouxeram ótimos resultados na luta contra o narcotráfico.

Quais são os principais desafios na luta contra o narcotráfico e pela segurança intercontinental? A que os senhores se referem quando falam de transformação militar?

Gen Navas: Em matéria de transformação militar das forças militares e policiais, foi adotada uma doutrina e, implementando-a, transformou-se em uma cultura conjunta, coordenada e entre agentes, para assim potencializar sua atividade ante os grupos do narcotráfico, os grupos do crime organizado. Houve também um avanço na questão dos acordos internacionais para fortalecer a justiça, sobretudo para esse intercâmbio de inteligência e para facilitar a ação judicial e jurídica, apresentando provas ante os outros governos onde se pretende que haja uma ação judicial contra os criminosos. Da mesma forma que os progressos tecnológicos, o crime organizado, o narcotráfico, o micro tráfico, os mesmos grupos armados ilegais evoluíram nesse sentido. Eles dispõem de recursos provenientes de sua atividade criminosa, o que lhes facilita a aquisição de tecnologia de ponta. Assim sendo, as Forças Armadas e de Polícia precisam estar em sintonia, superar essa capacidade, e não apenas através da posse física dos equipamentos, mas também na habilidade para manejá-los; da mesma forma, os progressos em termos de inteligência, seja a inteligência humana, seja a inteligência técnica que se adquire com o treinamento e com a cooperação internacional entre outros países. Por isto estamos adscritos a vários organismos internacionais com a Polícia Nacional e isto facilita a captura e a apreensão de insumos do narcotráfico e, em matéria de justiça, o que é extremamente importante, uma justiça internacional através de canais que facilitem a ação jurídica sobre esses criminosos. Quanto aos desafios da luta contra o narcotráfico, trata-se de reduzi-la ao máximo, ou melhor, aplicar o plano Espada de Honra, e não apenas contra o narcotráfico, mas também contra os grupos armados ilegais que praticam o narcotráfico e têm os mesmos lucros que as quadrilhas de criminosos. Nós, os policiais e militares colombianos, sabemos muito bem que enquanto houver narcotráfico na Colômbia, será difícil neutralizar esses grupos criminosos, pois eles são o combustível da subversão, da atividade guerrilheira.

Parte dos acordos do Plano Colômbia foi deixar nas mãos deste país [a Colômbia] a questão dos cultivos ilícitos. Segundo informações da ONU, os cultivos ilícitos aumentaram nos últimos meses. O senhor considera novamente oportuna a ajuda dos EUA para combater esse flagelo?

Gen Navas: Quanto aos resultados contra o narcotráfico, é preciso levar em conta que a atividade, a ação do Estado, permitiu uma redução de 60 por cento das atividades ilícitas do narcotráfico. O negócio do narcotráfico transformou-se em micro tráfico, não mais em caráter industrial, e sim de forma setorizada por grupos pequenos. Deve-se levar em conta que há dez anos eram produzidas no país mil toneladas métricas de cocaína pura, cloridrato de cocaína, retiradas de 170 mil hectares cultivados, que hoje em dia há 66 mil hectares e a produção de 350 toneladas métricas de cocaína, e que são apreendidas por ano cerca de 150 toneladas métricas, permanecendo no mercado do crime praticamente cerca de 200 toneladas, o que de qualquer maneira é um grande valor em dinheiro.

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2 de Comentários

  • camilo andres cedeño guzman | 2014-02-19

    Graças a um tenente do Exército da Colômbia depois de eu ter feito o curso de soldado profissional, este tenente me agredia verbalmente e desconsiderava meus direitos humanos, peço reintegração à Força.

  • Yon Hilton | 2012-08-27

    Estou escrevendo de conija Maldonado, um pequeno povoado entre o Brasil, Bolívia e Peru onde a existência de ouro está acabando com a sensatez desta região de selva, onde as pessoas estão vivendo uma morte lenta devido ao uso de bórax e mercúrio para a extração do ouro, onde esse elemento está nas águas como rios e lagoas e é com essa água que cozinham seus alimentos e se banham sem importar-se com o dano que estão causando a si mesmos. A ambição pelo ouro dos empresários do narcotráfico e cafetões que investem e contratam pessoas para a extração do ouro é totalmente informal, aqui se vive de forma desumana sem a intervenção do governo, essa é a face feia da América do Sul, o tráfico de mulheres, meninas e ouro é alarmante.