2012-07-16

Suposto membro do Los Zetas capturado em Honduras

Los Zetas: Arístides Cruz, um suposto membro da organização criminosa transnacional, foi capturado recentemente em Honduras. Ele é acusado de lavagem de dinheiro e porte ilegal de armas. [Foto: Procuradoria Geral de Honduras]

Los Zetas: Arístides Cruz, um suposto membro da organização criminosa transnacional, foi capturado recentemente em Honduras. Ele é acusado de lavagem de dinheiro e porte ilegal de armas. [Foto: Procuradoria Geral de Honduras]

Por Talita Verástegui

A gangue de drogas Los Zetas parece estar expandindo seu alcance em Honduras. No mês passado, policiais e soldados do exército invadiram uma casa em Tegucigalpa, onde detiveram Arístides Cruz, 40 anos, um suposto integrante da organização criminosa transnacional.

Autoridades apreenderam diversas pistolas, cerca de doze coletes à prova de bala, três veículos de luxo, uniformes do exército americano e US$ 70.000 (R$ 140.000) em espécie.

Alguns dias após a operação, autoridades encontraram 9 kg de explosivos C-4, diversas granadas, equipamentos de comunicação e mais uniformes americanos em um quarto que Cruz alugou em outra área da cidade e também na casa de sua mãe.

Cruz foi acusado de lavagem de dinheiro e posse ilegal de armas de fogo e equipamentos militares. Autoridades realizaram as investidas após receber denúncias de que o hondurenho poderia estar envolvido em atividades suspeitas.

“Obtivemos informações de que pessoas na área estavam traficando armas e agora temos a prova”, disse o coronel Fredy Alejandro Cruz, comandante do 1º Batalhão de Engenheiros das Forças Armadas de Honduras.

Los Zetas e outros cartéis atuam na América Central: Em outro indício de que o Los Zetas ampliou sua presença em Honduras, a marinha mexicana apreendeu 300.000 litros de diesel que pertenciam à gangue e tinham como destino o país centro-americano, segundo relatórios divulgados.

O combustível estava escondido a bordo de um navio em Ciudad del Carmen, em Campeche. Autoridades navais encontraram o material durante uma inspeção de rotina. A apreensão aconteceu em 15 de maio mas só foi divulgada em junho.

Nos últimos anos, autoridades reprimiram as rotas de tráfico de drogas mais usadas no Caribe. Em resposta, o Los Zetas e outras organizações criminosas transnacionais ampliaram seu raio de ação para Honduras e outros países centro-americanos:

• Em março, o ministro do Interior guatemalteco, Mauricio Lopez Bonilla, afirmou que o Los Zetas estaria expandindo suas operações em seu país. A gangue teria se tornado o grupo do crime organizado mais poderoso da Guatemala, segundo o ministro.

• Em abril, a Polícia Nacional do Equador capturou o braço direito de El Chapo no país, Cesar Demar Vernaza Quinonez, vulgo “O Corajoso”. A gangue transportava e guardava os carregamentos de drogas que passavam pelo Equador para El Chapo, segundo autoridades.

• Em maio, uma aeronave de pequeno porte com uma carga de US$ 1,4 milhão (R$ 2,8 milhões) em espécie caiu no Equador. O avião pertenceria ao barão das drogas foragido Joaquin “El Chapo” Guzmán, líder do cartel de Sinaloa, e não tinha permissão para voar no Equador, informaram autoridades. O piloto e o copiloto eram mexicanos.

Carregamentos de drogas passam por Honduras

Honduras se tornou uma região de transbordo crucial para o Los Zetas, El Chapo e outras organizações do crime transnacional, de acordo com autoridades.

Cerca de 95% da cocaína que sai da América do Sul rumo aos Estados Unidos passa pela América Central, de acordo com o Relatório de Estratégia para o Controle Internacional de Narcóticos do Departamento de Estado americano. Oitenta por cento dos voos com drogas que saem da América do Sul rumo ao norte primeiro pousam em Honduras, estima o relatório.

No final de junho, um desses aviões aterrissou em Ahuas, no departamento de Gracias a Diós, na remota região de La Mosquitia, no leste do país. A área possui pouca infraestrutura e a presença do estado é limitada, fatores que a tornam ideal para os voos ilícitos.

Seguindo uma pista, a polícia hondurenha — com o auxílio de agentes da Agência Antidrogas dos EUA — aguardou o pouso do avião. A bordo, policiais e agentes da DEA encontraram 360 kg de cocaína e imediatamente prenderam o piloto e três outras pessoas. Naquela mesma semana, a polícia hondurenha realizou incursões em três casas em San Pedro Sula.

“Encontramos diversos veículos irregulares, um dos quais era dado como roubado”, conta Leonel Sauceda, chefe da Polícia Nacional de Prevenção de San Pedro Sula. A polícia apreendeu doze veículos. Os carros e caminhões tinham sido modificados passando a contar com compartimentos secretos, que, normalmente, eram usados para esconder drogas, diz Sauceda, acrescentando que foram encontrados 32 kg de cocaína dentro do compartimento falso de um Mercedes-Benz. Autoridades também encontraram US$ 450.000 (R$ 900.000) dentro de um caminhão, afirma Óscar Aguilar, porta-voz do Escritório Nacional de Investigação Criminal.

Sem trégua na guerra às drogas

Os policiais e militares hondurenhos estão participando de uma missão antidrogas chamada de “Operação Trovão”, liderada pelo comissário-geral Juan Carlos Bonilla, chefe da Polícia Nacional. Em dezembro, o governo hondurenho autorizou os militares a se unirem à polícia na luta contra o tráfico de drogas.

A Operação Trovão levou à captura de inúmeros traficantes de drogas e membros de organizações criminosas, e à destruição de 60 pistas de pouso clandestinas no país, informa o ministro da Defesa Marlon Pascua.

Autoridades hondurenhas estão trabalhando para fortalecer a polícia do país, contratando mais agentes e fornecendo mais treinamento. Enquanto isso, o auxílio militar é crucial na batalha contra as organizações criminosas transnacionais, afirma o ministro da Segurança Pompeyo Bonilla.

“Sem o apoio das forças armadas, seria muito difícil fortalecer a polícia, que não possui recursos ou pessoal suficientes para desempenhar seu dever constitucional no momento, mas isso é algo passageiro”, garante Bonilla. A polícia civil estará pronta para assumir a responsabilidade de combater os grupos do crime organizado sem a ajuda dos militares dentro de um ano, ainda segundo Bonilla.

Autoridades colombianas, antigas e atuais, que obtiveram êxito na batalha contra os cartéis de drogas naquele país estão colaborando com seus colegas hondurenhos, compartilhando experiências e informações. Entre os conselheiros, está o general da reserva colombiano Rosso Cerrano, um dos estrategistas por trás do desmantelamento dos cartéis de Cali e Medellín.

“O tráfico de drogas é um elemento corruptor, mas pode ser enfrentado”, asseverou Cerrano durante uma recente visita a Honduras, acrescentando que as forças de segurança devem se unir contra o crime organizado e que Honduras pode, eventualmente, expulsar o Los Zetas. “Quando há uma polícia forte, os criminosos tremem”, concluiu.

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