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2012-07-16

Quadrilhas de El Salvador prometem a Insulza um desarmamento parcial em uma trégua inédita

AFP/Oscar Batres e Carlos Mario Márquez

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, reuniu-se em 12 de julho em uma carceragem com líderes das temidas quadrilhas de El Salvador, que lhe prometeram um “desarmamento parcial” como “um gesto” em uma inédita trégua iniciada há quatro meses.

Sob forte esquema de segurança, Insulza conversou em uma sala privada da penitenciária La Esperanza, no norte de São Salvador, com os chefes da Mara Salvatrucha (MS-13) e da Mara 18 (MS-18), os quais lhe entregaram uma lista de solicitações e anunciaram sua oferta.

“Decidimos mostrar um novo gesto de boa vontade, com o qual esperamos (…) contribuir para a recuperação da paz social (…); trata-se de um simbólico desarmamento parcial”, enfatizaram em um comunicado conjunto, lido para a imprensa por um dos líderes da MS-18, Carlos Mojica Lechuga.

Insulza, que encerrou em 13 de julho uma visita de dois dias a El Salvador para tomar conhecimento do andamento da trégua, anunciou que o organismo elaborará um mecanismo para o cumprimento do desarmamento parcial.

“Falta elaborar um mecanismo adequado de recepção, devemos verificar vários tópicos, existem armas que podem estar ligadas a crimes cometidos anteriormente, precisamos verificar a procedência das armas e é preciso que elaboremos um procedimento”, disse Insulza após reunir-se com o presidente Mauricio Funes.

“Recebi suas propostas, estou muito impressionado com o que ouvi, foi uma reunião muito importante, é um processo em andamento (a trégua), mas daremos todo o apoio possível”, afirmou Insulza, que disse estar “muito esperançoso”.

Os líderes das quadrilhas negaram-se a informar a quantidade ou o tipo de armas, mas disseram que as entregarão a Insulza para que sejam fundidas e se construa um monumento, através do vigário militar Fabio Colindres e do ex-comandante guerrilheiro Raúl Mijango, mediadores da trégua.

Um dos líderes da MS-13, Carlos Tiberio Valladares, confirmou à imprensa que eles haviam pedido diretamente a Insulza que a Organização dos Estados Americanos (OEA) “garantisse o processo que leve à paz social”.

A MS-13 e a MS-18 que, ligadas ao narcotráfico, espalharam o terror em El Salvador, Guatemala e Honduras, iniciaram em março uma trégua que, segundo dados oficiais, ajudou a baixar de 14 para 5,6 a média diária de homicídios, ainda que setores da sociedade questionem sua real efetividade.

Para o analista e acadêmico Juan Ramón Medrano, o maior desafio é a “manutenção” da trégua e “evitar que mais jovens se juntem às quadrilhas”. O Estado deve “recuperar” os “territórios por eles controlados” com projetos sociais, acrescentou.

Apesar de as quadrilhas terem decidido, em maio, cessar durante a trégua o recrutamento forçado de jovens e terem declarado os disputados grupos escolares “zonas de paz”, os crimes e desaparecimentos de estudantes continuaram, segundo organismos de direitos humanos.

Não obstante, Mijango declarou à AFP que nos primeiros 123 dias de trégua evitaram-se 1.077 mortes e houve uma “redução significativa” das extorsões que as quadrilhas praticam contra o cidadão comum, comerciantes ou transportadores.

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