2012-07-11

Assassinato de Facundo Cabral na Guatemala revelou rede internacional do narcotráfico

O costa-riquenho Alejandro Jimenez, principal suspeito do assassinato do cantor argentino Facundo Cabral, ao ser levado à corte na Cidade da Guatemala, em 15 de março de 2012. (Foto: AFP/Jose Miguel Lam)

O costa-riquenho Alejandro Jimenez, principal suspeito do assassinato do cantor argentino Facundo Cabral, ao ser levado à corte na Cidade da Guatemala, em 15 de março de 2012. (Foto: AFP/Jose Miguel Lam)

AFP

Notadamente vítima do crime organizado na América Central, o cantor argentino Facundo Cabral morreu há um ano acossado por contrabandistas em uma famosa rua da Guatemala. Seu assassinato revelou uma rede de narcotráfico cujas ramificações na região são ainda incalculáveis.

O homicídio, pelo qual estão presos o suposto mentor intelectual e quatro criminosos, foi lembrado em 9 de julho com música em algumas emissoras de rádio da Guatemala, Nicarágua e Costa Rica, os três países da região onde o crime atua particularmente.

Cabral morreu quando, após uma apresentação, seguia para o aeroporto por uma via no sul da Cidade da Guatemala, em companhia do empresário nicaraguense Henry Fariñas, contra quem, segundo as investigações, estaria dirigido o ataque ordenado pelo costa-riquenho Alejandro Jiménez, vulgo “El Palidejo”, devido a um ajuste de contas.

“As investigações permitiram a identificação desta estrutura criminosa que planejou o atentado” e determinou os vínculos entre o mentor intelectual e os assassinos, informou à AFP um porta-voz da Promotoria guatemalteca, que deu por encerrada a fase de investigações e está à espera de uma audiência para determinar a abertura do julgamento.

Jiménez, considerado um elo de um cartel do México, foi detido em abril na Colômbia e enviado para julgamento na Guatemala, país onde, segundo as Nações Unidas, mais de 98 por cento dos crimes ficam impunes.

No entanto, o processo na Guatemala está “suspenso’, pois dois dos acusados interpuseram recursos ao duvidar da imparcialidade da juíza encarregada do caso, disse em 9 de julho o porta-voz da Corte Suprema de Justiça, Carlos Castillo.

Fariñas, que saiu ileso, passou de testemunha chave do crime para atrás das grades. Ele foi preso em março na Nicarágua e enfrentará julgamento em 22 de agosto junto com vários membros de sua família e outros detidos, acusados de narcotráfico e lavagem de dinheiro.

“Lamentavelmente foi preciso que morresse uma figura de nível internacional como Cabral para que descobríssemos a ponta do iceberg de uma rede que tem ramificações na América Central, Colômbia e México, e gerou um processo de corrupção que penetrou em instituições do Estado da Nicarágua”, declarou à AFP Roberto Orozco, especialista em segurança do Instituto de Estudos Estratégicos e Políticas Pública de Manágua.

Segundo investigações nicaraguenses às quais a AFP teve acesso, o cartel mexicano de Los Charros, ligado ao já desmembrado Familia Michoacana, estabeleceu sua rede centro-americana com apoio de “El Palidejo”, que se havia instalado na Nicarágua em 2008 para dirigir suas operações, segundo a acusação.

Na Nicarágua, as investigações envolvem o magistrado Julio Osuna, detido e acusado de obter falsos documentos de identidade nicaraguenses para a rede e ajudar na lavagem de dinheiro, após manter contato, desde 2009, com o mexicano David Patrón, considerado um dos líderes de Los Charros.

O representante de Cabral, Percy Llanos, ileso no atentado, declarou nesta segunda-feira à emissora costa-riquenha ADN que o encontro entre Fariñas – que contratou a apresentação na Guatemala – e o cantor havia sido casual.

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Tue Apr 15 22:20:23 2014

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