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2012-07-09

Aumentam apreensões de drogas em países do Caribe

Um cargueiro é descarregado no Porto de Contêineres de Freeport, na Ilha Grande Bahama. De acordo com a Agência Antidrogas dos EUA, traficantes colombianos de cocaína usam contêineres para burlar a segurança das Bahamas. Desde 2007, autoridades apreenderam ao menos três toneladas métricas da droga no terminal de transbordo de Freeport. [Larry Luxner]

Um cargueiro é descarregado no Porto de Contêineres de Freeport, na Ilha Grande Bahama. De acordo com a Agência Antidrogas dos EUA, traficantes colombianos de cocaína usam contêineres para burlar a segurança das Bahamas. Desde 2007, autoridades apreenderam ao menos três toneladas métricas da droga no terminal de transbordo de Freeport. [Larry Luxner]

Por Dave Carey

Autoridades caribenhas estão intensificando os confiscos de drogas, com operações particularmente bem-sucedidas nas Bahamas, Jamaica e República Dominicana — mas também em ilhas menores como Granada.

Autoridades de Granada ficaram empolgadas com a enorme apreensão realizada há seis semanas de cerca de 300 kg de maconha e cocaína em Levera, na região de Saint Patrick, avaliadas em US$ 1,5 milhão (R$ 3 milhões). Nenhuma prisão foi efetuada, mas autoridades esperam que o confisco sirva de alerta às transportadoras locais e leve a outras vitórias ainda maiores contra os cartéis, pois trabalham com um suspeito sob custódia.

“Essa foi a nossa maior apreensão da história”, declarou aos jornalistas o chefe da Unidade de Relações Comunitárias da Polícia de Granada, Dunbar Belfon.

Autoridades de granada também aguardam a chegada de dois barcos de patrulha Interceptor doados pelo governo americano para auxiliar na proteção de suas águas. Os barcos foram comissionados no final do mês passado na Base da Guarda Costeira da Real Força Policial de Granada, localizada em True Blue.

“Isso ajudará a reduzir a vulnerabilidade da nossa segurança marítima, além de apoiar missões de busca e resgate, especialmente onde diz respeito a nossos pescadores”, afirmou o primeiro-ministro Tillman Thomas aos jornalistas.

Dominicanos realizam grandes apreensões de drogas

Enquanto isso, a República Dominicana também tem muitas apreensões a comemorar. Autoridades de Santo Domingo confiscaram quase uma tonelada de cocaína no final do mês passado quando prenderam três colombianos que tentavam contrabandear a droga em uma lancha na costa sul do país. A apreensão foi a segunda maior do ano das autoridades locais, que também prenderam três venezuelanos com 1,5 t de cocaína que tentavam contrabandear em uma pequena cidade em março.

“Essa rede de traficantes de drogas usa os serviços de venezuelanos, colombianos e dos remanescentes do bando de Toño Leña para trazer narcóticos ao país e, depois, enviá-los para os Estados Unidos e a Europa”, afirmou em entrevista o general Rolando Rosado Mateo, chefe da Direção Nacional de Controle de Drogas (DNCD). “Esses indivíduos eram encarregados de dirigir e coordenar as operações do tráfico de drogas na República Dominicana.”

Essas operações bem-sucedidas são a prova de que o número recorde de apreensões de cocaína em 2011 não era boato infundado. No ano passado, autoridades confiscaram 6.700 kg de cocaína, um aumento de 48% em relação a 2010, de acordo com dados da DNCD.

Repressão nas Bahamas reflete o aumento acentuado do tráfico

As Bahamas estão levando a sério a guerra contra os cartéis de drogas. Autoridades de Nassau ordenaram a demolição de dois “esconderijos” onde cerca de 2 kg de maconha foram confiscados recentemente.

Uma operação conjunta da DEA, a agência antidrogas americana, e a Real Força Policial das Bahamas levou à descoberta de 30 plantações de maconha contendo mais de 50.000 pés, cuja altura variava de 30 cm a 3 m. As plantas tinham um valor de mercado estimado em US$ 40 milhões (R$ 80 milhões) e foram destruídas no local por agentes da lei.

“Acreditamos que a droga seria vendida às nossas crianças e moradores”, declarou em entrevista o superintendente da polícia das Bahamas, Stephen Dean, observando que também foi encontrada munição no local isolado no leste da Grande Bahama.

Os padrões de confisco de drogas nas Bahamas e no resto do Caribe diferem consideravelmente dos da América Central, onde as apreensões de cocaína continuam a subir. De 1985 a 1990, autoridades das Bahamas apreenderam uma média de 6.300 kg de cocaína por ano, segundo números do Ministério da Segurança. De 2005 a 2010, a média foi de apenas 2.400 kg anuais.

Mas quando se trata de maconha, é totalmente o oposto. As apreensões saltaram de uma média de 22.500 kg por ano entre 1985 e 1990 para quase 27.500 kg anuais entre 2005 e 2010.

“O mercado de cocaína desabou e, com isso, caiu significativamente o consumo de cocaína e crack”, diz um relatório publicado pelo Ministério da Segurança este ano. “Desde 2000, a maconha vem se tornando gradualmente a droga preferida, além das ‘drogas de boate’, como o ecstasy.”

A maior parte da cocaína que entra nas Bahamas chega escondida em contêineres que passam pelo Porto de Contêineres de Freeport, na Ilha Grande Bahama, segundo o Relatório Internacional de Controle de Narcóticos 2012, emitido pelo Departamento de Estado americano. O estudo afirma que traficantes colombianos utilizam os contêineres regularmente como meio de burlar os agentes da lei da ilha.

Segundo o relatório, cerca de três toneladas métricas de cocaína foram apreendidas no imenso terminal desde 2007, embora a quantidade tenha diminuído em 2011.

De modo a coibir o fluxo contínuo para as Bahamas, o ministro da Segurança, Tommy Turnquest, apresentou um plano de cinco anos “para mobilizar o país como um todo para uma reação abrangente e eficaz contra o consumo de drogas e o tráfico ilícito, com foco particular nos nossos jovens”, afirmou. “Seu principal objetivo não é identificar os problemas, mas elaborar soluções eficientes para os mesmos”.

Jamaica: ‘Ninguém está acima da lei’

A Jamaica também age eficazmente contra as drogas. Recentemente, autoridades auxiliaram a processar o chefão do crime Christopher “Dudus” Coke, que foi condenado no mês passado a 23 anos de prisão por tráfico de drogas. Autoridades louvam esse sucesso como uma vitória histórica e esperam que tenha efeito em todo o submundo do crime.

“Isso manda um recado importante aos chefões do crime, que acham que podem agir impunemente, e para toda a sociedade de que não há ninguém acima da lei”, afirmou aos jornalistas o chefe da Segurança Nacional da Jamaica, Peter Bunting.

A Divisão Área Um contra o Crime Transnacional e os Narcóticos também obteve uma grande vitória em junho, quando prendeu três pessoas e apreendeu 1.225 kg de maconha em Rose Hall. A droga confiscada foi avaliada em cerca de US$ 27 milhões (R$ 54 milhões). A polícia acredita que o narcótico fazia parte de uma troca de drogas por armas.

“Agentes da lei também precisarão de apoio legislativo em seus esforços para desmantelar as gangues criminosas”, diz Owing Ellington, comissário de polícia da Jamaica.

Trinidad e Tobago também faz sua parte. No mês passado, autoridades das ilhas gêmeas mandaram um recado aos cartéis de drogas ao incinerar uma plantação secreta de maconha em uma propriedade do governo. Cerca de 1.800 pés de maconha, além de 1.500 mudas e 2,5 kg de maconha curada — avaliados em US$ 1 milhão (R$ 2 milhões) — foram queimados.

“Não vou sossegar enquanto o volume das atividades criminosas não cair a um nível que seja aceito pela comunidade internacional e é por isso que estamos olhando para o crime de uma perspectiva holística”, garante o ministro da Segurança Nacional do país, John Sandy. “Estamos progredindo nesse aspecto.”

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