2012-05-14

Entrevista com o Contra-Almirante Chuck Michel, diretor do JIATF -S

Contra-Almirante Charles D. Michel, diretor da Força Tarefa Conjunta Interagentes Sul. (Foto: DIÁLOGO)

Contra-Almirante Charles D. Michel, diretor da Força Tarefa Conjunta Interagentes Sul. (Foto: DIÁLOGO)

DIÁLOGO

Quatro meses depois do lançamento da Operação Martillo, mais de 15 nações trabalhando juntas com perseverança combatem o tráfico ilícito nas águas da América Central, confiscando mais de 30 toneladas métricas de drogas e detendo mais de 50 pessoas.

Em uma entrevista concedida a Diálogo durante a Conferência sobre Segurança dos Países do Caribe (CANSEC 2012), em abril, o diretor da Força Tarefa Conjunta Interagentes Sul (JIATF-S) disse que o sucesso da Operação Martillo está na firmeza de seus parceiros: “Se o parceiro for fraco, será para lá que os traficantes irão. É absolutamente primordial para todos nós que nos mantenhamos unidos”.

Diálogo: Como a JIATF-S está participando da Operação Martillo?

Contra-Almirante Chuck Michel, diretor da JIATF-S: A Operação Martillo é realmente um esforço regional e esta é a primeira vez em que tentamos empregar todos os conhecimentos e todos os relacionamentos e toda a história de todos os parceiros regionais, tentando trabalhar em conjunto, tentando obter um efeito estratégico contra as organizações criminosas transnacionais que atuam na região.

A JIATF-S viabiliza a Operação Martillo, mas na realidade nós não possuímos a Operação Martillo. Esta operação tem várias partes interessadas: incluem-se aí todos os parceiros militares e policiais que participam em toda a região e além dela. Temos contribuições substanciais do Reino Unido, Holanda, França, Espanha, Canadá e diversos outros parceiros.

Diálogo: Como é a participação dos parceiros europeus?

Contra-Alm. Michel: Nossos parceiros europeus são importantíssimos para fornecer navios, aeronaves, inteligência e apoio logístico… tudo aquilo que se precisa para realizar esta operação. Nossos parceiros holandeses, especialmente, desempenham um papel-chave na Operação Martillo no Caribe Central, verificando se os traficantes que estão sendo pressionados na América Central estão se transferindo para o Caribe Central. Os franceses, sob o comando do Vice-Almirante Loic Raffaeli, em Martinica, também conduzem uma operação que faz parte da Operação Martillo no Caribe Oriental, tentando atingir o mesmo objetivo. O Reino Unido contribui com apoio de inteligência e navios.

Diálogo: E quanto aos países que dispõem de menos recursos?

Contra-Alm. Michel: Existe um lugar e uma função para a participação de todos na região. As nações parceiras regionais e os membros dos EUA têm um compromisso renovado de combater o Crime Organizado Transnacional (TOC). Já vimos alguns progressos nas comunicações entre as nações e as atividades policiais, e houve aumento no número de interdições e apreensões envolvendo duas ou mais nações, de uma forma ou de outra. Nenhuma nação ou agência que opere sozinha é capaz de derrotar o TOC. Não importa o tamanho que os esforços ou recursos de um país aparentemente possam ter, coletivamente todo esforço contribui para aumentar a capacidade da região de combater o tráfico ilícito.

Diálogo: Existem planos de contingência para as nações que possam ser afetadas no caso de, em consequência dos esforços dispendidos na América Central, as rotas do tráfico migrarem para os países do Caribe Oriental?

Contra-Alm. Michel: Uma das partes-chave da Operação Martillo é seu processo de avaliação muito forte. Este processo deve envolver não apenas os Estados Unidos mas também todo o hemisfério. Todos devem ter suas antenas levantadas e os ouvidos abertos para perceber quando os traficantes mudam seus padrões. É absolutamente vital que se percebam esses padrões o mais cedo possível para que os recursos sejam remanejados quando necessário. Por exemplo, como disse o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Fraser, quando pressionamos os traficantes de drogas em Honduras, eles provavelmente não se tornarão cidadãos honestos e procurarão um emprego de verdade, eles vão se transferir para algum outro lugar, e nós precisamos perceber esta mudança e tentar ser tão ágeis quanto eles, para remanejarmos nossos recursos em qualquer direção que se fizer necessária. Os traficantes são ágeis mas não são onipotentes, eles não são donos do planeta. Para onde quer que eles se transfiram, eles ainda assim precisam ter uma infraestrutura, eles ainda precisam levar o produto para outro lugar, eles ainda precisam corromper aquela autoridade governamental, ou fazer toda a preparação necessária. Eles não podem simplesmente se mudar num piscar de olhos.

Diálogo: A Operação Martillo é uma operação em aberto ou ela tem um cronograma para atingir determinados objetivos?

Contra-Alm. Michel: Esta operação não tem uma data estipulada para terminar; ela muda quando os traficantes mudam seu comportamento. Nós continuaremos a pressioná-los até que eles mudem seus esquemas de negócios. Quanto tempo isto durará? Ninguém sabe.

Diálogo: Quais foram as principais conquistas até agora, desde o início da Operação Martillo?

Contra-Alm. Michel: Desde 15 de janeiro de 2012, as nações parceiras e as atividades policiais dos EUA já apreenderam 32 toneladas métricas de cocaína, uma quantidade bastante substancial. Vimos uma redução significativa do tráfico aéreo, algo entre 60 e 70 por cento. Posso dizer com um grau relativamente bom de confiança que alguma coisa significativa aconteceu no tráfico aéreo. Não lhe posso afirmar com certeza, mas algo aconteceu. Precisaremos monitorar o que os traficantes estão fazendo… eles estão fazendo reservas de estoque? Estão mudando para procedimentos que não conhecemos? Eles são muito versáteis, são adversários com muitos recursos financeiros.

Diálogo: O senhor destacou que este é um esforço multinacional, onde a maior parte dos casos bem-sucedidos envolvem mais de um país…

Contra-Alm. Michel: Desde que iniciamos a Operação Martillo, quatro em cada cinco operações ou 80 por cento são operações multinacionais. Por exemplo, as lanchas rápidas normalmente partem da Colômbia, são avistadas em águas colombianas, perseguidas em águas panamenhas ou perto das águas panamenhas… E assim eles podem sair das águas territoriais, ser perseguidos por pessoal dos EUA, entregues a um interceptador do Panamá que fará a apreensão. Só este processo já envolve a Colômbia, os Estados Unidos e o Panamá.

Diálogo: O Tenente-Brigadeiro-do-Ar Fraser mencionou conversações sobre um período de seis meses para se avaliarem os resultados. O que o senhor espera que ocorra ao final desses seis meses?

Contra-Alm. Michel: Esperamos que em seis meses tenhamos uma mudança palpável nos padrões do tráfico. Na parte aérea, já percebemos isto. Na parte marítima, espero ver mudanças mais claras nos esquemas do tráfico do que estamos vendo atualmente. Eu adoraria ver algumas mudanças palpáveis em terra, por exemplo, a redução das taxas de homicídios e crimes ligados ao fluxo de cocaína em seu deslocamento por esta via… esta seria uma contribuição bem-vinda. E existem provavelmente outros fatores que podemos mensurar, como desmanchar as redes do tráfico de drogas, indiciamentos, prisões. Assim sendo, na medida em que continuamos a operação Martillo, há um grande trabalho sendo feito, e isto é uma experiência de aprendizado para nós e todos os demais parceiros, e esperamos poder melhorar essas capacidades nos próximos seis meses. E queremos continuar pressionando os traficantes. É isto que quero conseguir em seis meses.

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1 Comentário

  • Newton Bochi | 2012-05-14

    Este é o exemplo de uma operação interagências com sucesso....

Fri Apr 18 00:18:53 2014

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