2012-02-22

Entrevista com o Sr. Denzil L. Douglas, primeiro-ministro de São Cristóvão e Nevis

O primeiro-ministro de São Cristóvão e Nevis, Sr. Denzil L. Douglas, durante a CANSEC 2012. Foto: Marcos Ommati/Diálogo

O primeiro-ministro de São Cristóvão e Nevis, Sr. Denzil L. Douglas, durante a CANSEC 2012. Foto: Marcos Ommati/Diálogo

Marcos Ommati/Diálogo

O primeiro-ministro de São Cristóvão e Nevis, Sr. Denzil L. Douglas, fez uma das mais emocionadas apresentações durante a Conferência sobre Segurança dos Países do Caribe (CANSEC 2012), sediada e patrocinada pela nação caribenha, com o copatrocínio do Comando Sul dos Estados Unidos, em dezembro de 2011. Diálogo teve a oportunidade de conversar com o primeiro-ministro Douglas imediatamente após suas considerações de abertura sobre alguns dos tópicos citados em seu discurso, tais como segurança regional, intercâmbio de informações e assistência em casos de desastres.

Diálogo: Qual é a importância de uma conferência como a CANSEC?

Primeiro-ministro Denzil L. Douglas: A importância reside no fato de que todos aqui têm o interesse comum de proteger a região, e esta conferência incentiva uma análise mais profunda e o planejamento de nossas ações daqui em diante. O crime organizado transnacional não é mais o que era antes. Ele está cada dia mais sofisticado, cada dia mais complexo em suas operações, cada dia mais velado, e cada dia mais determinado, e por isto a CANSEC 2012 é tão importante para nós.

Diálogo: Quais são as principais preocupações de São Cristóvão e Nevis atualmente?

Primeiro-ministro Douglas: Seja uma das maiores potências mundiais, como os Estados Unidos da América, ou a menor nação do Hemisfério Ocidental, como São Cristóvão e Nevis, a segurança nacional é o eixo em torno do qual tudo o mais gira. Nós combatemos a criminalidade porque, não importa o tamanho ou a envergadura, a luta contra o crime é fundamental para a estabilidade social. [Nós] combatemos a criminalidade porque sem esta luta, as engrenagens de nossas máquinas econômicas ficarão completamente emperradas. E combatemos a criminalidade porque a criminalidade sem controle é uma ameaça ao sistema político no qual se baseia qualquer governo confiável e legítimo.

Diálogo: Por que é tão importante que os países da região troquem informações com os EUA?

Primeiro-ministro Douglas: Não importa se nós, neste hemisfério, instituímos sistemas para agilizar o intercâmbio seguro de inteligência utilizável ou não; é nossa responsabilidade, sem dúvida, a opção de fazer com que o equilíbrio do hemisfério pese a favor do crime organizado transnacional ou a favor dos valores democráticos da lei e da ordem que somos responsáveis por proteger. É chegado o momento de termos níveis altos e sustentáveis de colaboração inter-regional. O Departamento de Justiça dos EUA declara que a maior ameaça do contrabando de drogas para os Estados Unidos via aérea continuará a ser o uso da aviação comercial pelos criminosos que partem da América do Sul e do Caribe e transportam heroína e cocaína. Os governos do Caribe, enquanto isso, sabem que a grande ameaça às sociedades da região continua a ser o fluxo irrestrito de armas convencionais, incluindo pequenas armas, armas leves e munição, dos Estados Unidos para diversos países nossos. A justaposição desses dois fatores mostra muito claramente a premência de se melhorar dramaticamente e com total reciprocidade a troca de informações entre todos os estados representados aqui na CANSEC.

Diálogo: Qual foi a estrutura para crime e segurança instituída na Comunidade Caribenha e Mercado Comum (CARICOM) recentemente?

Primeiro-ministro Douglas: Um componente essencial da estrutura de administração para crime e segurança instituída pelos líderes da CARICOM para o mecanismo conjunto de combate ao crime é a troca de informações, e ela é implementada através de nossas principais agências, que têm a função de trabalhar em colaboração nos âmbitos regional e nacional para enfrentar nossos interesses em segurança. Na verdade, vimos o resultado positivo dessa abordagem de colaboração em diversas áreas de operações, seja na segurança das fronteiras, onde o movimento dos indivíduos que as cruzam deve ser monitorado de perto, ou seja, na vigilância espacial e aérea, onde nossas autoridades trabalham estrategicamente para coibir o tráfico ilícito de armas de fogo, drogas ou de seres humanos em nossas águas, ou na assistência humanitária durante os desastres nacionais. A plataforma para a troca de informações é fornecida pela estrutura de segurança regional como parte integral de nosso plano de ação, e continuará a ser a base do sucesso do trabalho de nossas autoridades militares, policiais e de inteligência, visto que elas trabalham em colaboração na região e com seus companheiros do Comando Sul dos EUA nesta área tão importante da segurança nacional.

Diálogo: É necessário que se desenvolvam laços mais fortes entre a Força Tarefa Conjunta Interagentes Sul (JIATF-S), em Key West, e o Caribe?

Primeiro-ministro Douglas: Sim, com toda certeza. O desenvolvimento de laços mais fortes entre a JIATF-S e as autoridades policiais e pessoal de base do Caribe traria benefícios a todos os envolvidos e assim, diante disto, precisamos agora explorar a logística e demais detalhes que levariam a uma ligação do Caribe em si com a Força Tarefa Interagentes para ajudar a prever, ajudar a agilizar as unidades e iniciativas em uma gama de questões, desde a criminalidade transnacional à assistência humanitária em casos de desastres.

Diálogo: O que poderia ser feito para melhorar a resposta regional para a assistência em casos de desastres?

Primeiro-ministro Douglas: Há uma necessidade urgente de se criar um verdadeiro mecanismo para resposta a desastres no hemisfério, tanto em termos de acesso aos recursos quanto no que se refere a um sistema de alerta rápido e resposta, como mostrou a devastação causada pelo Furacão Ivan em Granada, em 2004, de forma tão gritante, de números tão altos e tão trágica. Agora estamos em uma era onde cada vez mais acontecem tempestades cruéis devido à mudança climática, e as pequenas embarcações são simplesmente incapazes de lidar com uma resposta rápida e assistência humanitária que essas crises demandam. As vantagens do baixo custo dessa região, em comparação com outras regiões e nações, permitiriam que grandes embarcações disponíveis, com os melhores equipamentos e pintadas na cor cinza, assumissem a liderança tanto nas operações prementes de assistência humanitária quanto nas operações de interdições de drogas em nosso mar aberto, tudo isto por uma fração do custo de qualquer outro lugar.

Diálogo: Qual é a importância da Iniciativa para a Segurança da Bacia do Caribe?

Primeiro-ministro Douglas: A Iniciativa para a Segurança da Bacia do Caribe é responsável pela plataforma a partir da qual os Estados Unidos e o Caribe podem avançar em colaboração nos interesses da segurança nacional de nossa amada região, e nessa iniciativa nos comprometemos a manter uma abordagem coordenada para permitir aos parceiros em desenvolvimento implementarem todas as iniciativas importantes para o desenvolvimento social e prevenção do crime.

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