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2012-01-12

Entrevista com o Ten. Cel. Patrick Wallace, comandante da Força de Defesa de São Cristóvão e Nevis

Tenente-Coronel Patrick Wallace, comandante da Força de Defesa de São Cristóvão e Nevis. (Foto: Diálogo/Sandra Marina Johnson)

Tenente-Coronel Patrick Wallace, comandante da Força de Defesa de São Cristóvão e Nevis. (Foto: Diálogo/Sandra Marina Johnson)

Marcos Ommati/Diálogo

São Cristóvão e Nevis foi um dos organizadores da Conferência sobre Segurança dos Países do Caribe (CANSEC) 2012 junto com o Comando Sul dos Estados Unidos, em dezembro de 2011. Diálogo teve a oportunidade de conversar com o comandante da Força de Defesa do país caribenho anfitrião sobre as maiores ameaças que atingem esta nação insular, o que vem sendo feito internamente para coibir o tráfico de drogas e a importância do trabalho em conjunto com os EUA nesses esforços.

Diálogo: Quais são as maiores ameaças referentes à defesa que São Cristóvão está enfrentando?

Tenente-Coronel Patrick Wallace: Para nós, a maior ameaça é a violência das gangues de jovens que algumas pessoas consideram uma ramificação do comércio de drogas. Se você vem acompanhando as notícias em São Cristóvão e Nevis, verá que tivemos 31 assassinatos em 2011. Assim sendo, o maior problema para nós é a violência dessas gangues de jovens, seguida pelo tráfico de armas de baixo calibre e drogas ilegais.

Diálogo: São Cristóvão está sendo usado como um país de passagem para as drogas, onde as armas são deixadas para trás?

Ten. Cel. Wallace: Este é um dos problemas. O outro é a troca de armas pela ajuda no trânsito das drogas. As pessoas recebem armas para proteger os carregamentos durante a passagem das drogas. Acreditamos que esta seja a razão pela qual as armas vêm sendo usadas nas ruas. Em termos de volume de drogas – que é o que imaginamos venha acontecendo no âmbito regional – eu não diria que isto aconteça toda semana, ou todo dia; depende apenas da situação da segurança, ou se a repressão policial estiver no oeste, será mais fácil rumar para o leste no que se refere àquele carregamento em particular. Assim, o leste do Caribe ainda representa uma estação de transbordo de carga das drogas que vão do sul para o norte.

Diálogo: O que tem sido feito para reverter esta tendência?

Ten. Cel. Wallace: O Sistema Regional de Segurança (RSS, por sua sigla em inglês) opera a aeronave C-26 que faz o patrulhamento marítimo, e esta é uma ação direta contra o tráfico. Quando estas aeronaves encontram drogas durante o patrulhamento, as ilhas são notificadas individualmente e as embarcações são enviadas para tentar interceptá-las.

Diálogo: E o que acontece internamente?

Ten. Cel. Wallace: Internamente, em São Cristóvão, estamos realizando operações e patrulhamentos conjuntos entre a Polícia e a Força de Defesa. Fazemos patrulhamentos conjuntos, operações conjuntas, para reduzir o índice de assassinatos, recuperar o maior número de armas que pudermos, e também as drogas que estiverem na ilha. Na verdade, temos alguns plantios locais de maconha; mais uma vez a Força de Defesa tem agido em operações para erradicar a maconha nas montanhas, e isto é uma resposta local. E a Guarda-Costeira faz o patrulhamento da costa para contornar o problema.

Diálogo: E como é feita a interação com os demais países, incluindo os EUA?

Ten. Cel. Wallace: Bem, a interação com outros países é coordenada através do RSS com os demais estados membros deste sistema. Também trabalhamos com os EUA e sua Guarda-Costeira, embora devido a outros compromissos no Ocidente e ao conflito no Oriente Médio, tenham sido retirados muitos recursos do Caribe. Ainda assim, tentamos fazer o que podemos.

Diálogo: O que dizer sobre as lições aprendidas com os outros países da região?

Ten. Cel. Wallace: No mês de setembro passado criamos o que denominamos equipes Delta. As equipes Delta são equipes da polícia e da Força de Defesa que trabalham 24 horas por dia, 7 dias por semana. Sua tarefa é lidar com o problema. A equipe opera no Quartel-General da Defesa de Camp Springfield, o que mostra como estamos integrados.

O treinamento é realizado pela Força de Defesa. Os membros da equipe treinam juntos para que possam operar juntos. Eles não agem individualmente; sempre saem em equipe, e isto explica o nível de cooperação. Quanto ao estado de emergência, não vemos necessidade de seguir este rumo por enquanto, mas temos leis muito rigorosas. Por exemplo, a legislação que controla o uso de armas dá enormes poderes à polícia para enfrentar o problema das gangues.

Diálogo: Ser membro de uma gangue é considerado um crime em São Cristóvão?

Ten. Cel. Wallace: É. Ser membro de uma gangue, ou até mesmo dar indícios de ser membro de uma gangue, é considerado crime. Assim sendo, o uso de símbolos, ou cores, ou qualquer coisa que remonte a uma gangue, ainda que não se trate de membros, o fato de alguém usar essas marcas já significa que a pessoa pertence a uma gangue. E não cabe à lei provar que a pessoa não é um membro, cabe ao acusado provar que não é. Assim, não precisamos recorrer ao estado de emergência para lidar com esse problema. Nosso Ato da Força de Defesa tem também uma seção que se refere ao apoio ao poder civil, e isto dá ao governador-geral, nosso chefe de Estado, a autoridade para ter a Força de Defesa trabalhando diretamente com a polícia sem passar pelo Parlamento, e essa autoridade dura seis meses. Isto já acontece, e estamos atualmente trabalhando com a polícia. E dá à Força de Defesa amplos poderes. Podemos abordar cidadãos e revistá-los sem o auxílio da polícia.

Diálogo: O que dá início a este tipo de autoridade?

Ten. Cel. Wallace: É uma solicitação do comissário de polícia baseada na situação da segurança local. Assim sendo, devido aos problemas que vimos tendo com os assassinatos e com a violência das gangues, o comissário considerou necessário contar com o total apoio da Força de Defesa. A solicitação foi feita, a autorização foi dada e a Força de Defesa, agora, pode dar total apoio à polícia. Dito isto, nós não saímos às ruas como regra geral, agindo por conta própria; ainda trabalhamos junto com a polícia, e as equipes conjuntas saem para operações conjuntas. Mas a autoridade permite que a Força de Defesa realize patrulhamentos por si, se isto for necessário para enfrentar uma situação e tomar atitudes imediatas, ao invés de aguardar a chegada de um oficial de polícia.

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