2011-12-19

Costa Rica bate recorde de apreensões de drogas em 2011

A presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, discursa na Conferência de Segurança da América Central, em junho de 2011, na Cidade da Guatemala, onde seis chefes de estado se reuniram para discutir meios de combate à crescente violência na região, impulsionada pelo crime organizado e tráfico de drogas. [Reuters/Jorge Dan López]

A presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, discursa na Conferência de Segurança da América Central, em junho de 2011, na Cidade da Guatemala, onde seis chefes de estado se reuniram para discutir meios de combate à crescente violência na região, impulsionada pelo crime organizado e tráfico de drogas. [Reuters/Jorge Dan López]

Por Adam Williams

SAN JOSÉ – Autoridades de segurança do governo costarriquenho hesitam em determinar se o número recorde de apreensões de drogas registrado em 2011 é um indicativo de melhoria da segurança nacional – ou uma maior evidência de que o país está sendo usado como um corredor de drogas entre as Américas do Sul e do Norte.

Agentes da lei confiscaram mais de 10 toneladas de narcóticos em 2011, um recorde histórico para a nação. Mas essa é apenas uma pequena fração das 900 toneladas de drogas que, segundo estimativas, passam pela América Central todos os anos. Durante os últimos seis meses, as forças de segurança pública, com a ajuda da DEA, a agência antidrogas americana, registraram a apreensão de 4.059 kg de cocaína.

Quando perguntado se a quantidade recorde significava uma melhoria da vigilância policial ou se seria apenas um sinal de que mais drogas estariam sendo transportadas pela Costa Rica, o ministro da Segurança Pública, Mario Zamora, respondeu: “ambos”.

“Obviamente, gostaríamos de achar que essa quantidade deve-se a um melhor trabalho das forças policiais nacionais, do Órgão de Investigação Judicial (OIJ), e da Polícia de Controle de Drogas (PCD), mas é difícil dizer qual é a realidade”, afirmou Zamora aos jornalistas em novembro. “Há mais drogas entrando no país? Eu diria que provavelmente sim, há mais drogas do que há dez anos. Estamos melhorando nossa capacidade de apreender mais drogas e desbaratar mais quadrilhas de narcotráfico? Eu gostaria de achar que sim, mas não posso necessariamente definir a relação entre os dois fatores.”

Uma das estatísticas que as autoridades comumente citam para destacar a crescente presença do comércio de drogas na Costa Rica é o número de narcotraficantes nacionais e internacionais que foram presos. No início de dezembro, agentes da PCD desbarataram uma organização criminosa na província de Limón, no leste do país, que operava de dentro de um presídio regional. Oito pessoas foram presas acusadas de distribuição e posse, e acredita-se que as esposas e namoradas dos detentos estavam contrabandeando cocaína para dentro da prisão durante as visitas.

Ministério: 101 organizações de drogas eliminadas em 2010

Em novembro, a PCD e o Ministério da Segurança prenderam três colombianos por posse de 1.203 kg de cocaína em San José. Foi informado que “as drogas apresentavam sinais de terem sido transportadas pelo mar” e foram divididas em pacotes pequenos para a distribuição. Acredita-se que os três homens façam parte de uma rede internacional de tráfico de drogas.

Em 2010, o Ministério da Segurança desmantelou 101 organizações de drogas, um recorde. De 2006 a 2010, cerca de 400 organizações criminosas de drogas foram desbaratadas, incluindo 347 grupos locais e 53 internacionais.

“A realidade na América Central tem variado significativamente no sentido de que, todos os anos, há uma presença maior dos cartéis de drogas mexicanos. Embora essa presença seja maior na região norte da América Central, é evidente que sua presença na região sul está aumentando, particularmente, em nosso país”, explica Zamora. “O cartel de Sinaloa é o grupo que consideramos o mais ativo por aqui. Com a informação de nossos serviços de inteligência e logística, sabemos que a maior parte das drogas apreendidas aqui são relacionadas a canais do Sinaloa.”

Zamora acrescenta que a presença do cartel mexicano Los Zetas também tem aumentado e acredita-se que esteja se unindo às “narcofamílias” da Costa Rica para auxiliar no envio e distribuição de drogas.

Enquanto aumentam as apreensões de drogas, aumentam também as taxas de criminalidade e assassinato. De 2006 a 2010, a taxa de homicídios da Costa Rica subiu de 7 por 100.000 habitantes para mais de 11, de acordo com números apresentados pelo Judiciário. Um país é considerado em risco quando sua taxa de homicídios ultrapassa 10 por 100.000 habitantes, de acordo com as Nações Unidas.

“A Costa Rica ainda é o país mais seguro da América Central, mas é visível que a insegurança no país alcançou um nível crítico”, ressalta Miguel Gutiérrez, fundador e diretor do relatório Estado da Nação. “O recente aumento do crime tem relação quase que total com a presença do crime organizado no país.”

Ainda segundo Gutiérrez, mais de 40% dos homicídios em 2010 tinham relação com o crime organizado e que o número total de crimes aumentou 1,7% desde 2009.

Segundo Zamora, os homicídios devem diminuir em 2011. O Ministério da Segurança registrou 35 assassinatos a menos nos oito primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

“Estamos conduzindo operações em pontos críticos no país e almejamos que, em 2011, a taxa de homicídios cairá abaixo da marca de 11 por 100.000”, afirma. “Atribuímos isso ao aumento das viaturas e armas de fogo fornecidas aos agentes de segurança este ano.”

Zamora ressalta também que, em 2011, cerca de 100 viaturas foram alocadas à província de Limón, região conhecida pela forte presença de drogas. A segurança também foi reforçada ao longo da fronteira da Costa Rica com o Panamá e a Nicarágua. Em 2012, cerca de 400 novas viaturas serão distribuídas pelo país. A iniciativa-chave para o próximo ano será centrada na “mobilidade” e aumento da presença policial nas ruas do país e em áreas caracterizadas por apreensões de drogas e violência, segundo o ministro.

“Nós já constatamos que a estratégia da mobilidade que estamos adotando está obtendo sucesso”, afirma. “A melhoria ainda não está nos níveis que desejamos, mas já há sinais claros de que, com mais policiais nas ruas, poderemos reduzir o nível de criminalidade e assassinatos.”

No último ano e meio, aproximadamente 1.500 policiais foram incorporados às forças nacionais de segurança, elevando o número total no país para 13.000. Mais 1.000 policiais estão previstos para assumir seus postos na Costa Rica em 2012.

2012: O Ano da Segurança

Durante sua campanha e desde que foi eleita em maio de 2010, a presidente Laura Chinchilla tem reiterado que melhorar a segurança nacional é a principal prioridade de sua administração. A mandatária, que atuou como ministra da Segurança de 1996 a 1998, assinou em novembro uma declaração de que 2012 será o “ano da segurança municipal, da segurança comunitária e da paz” na Costa Rica.

Para alcançar essa meta, Laura conta com a contribuição de membros municipais e comunitários na luta contra o crime. “O único modo das comunidades locais obterem êxito contra o crime é criar polícias que colaborem em todos os municípios, comunidades e bairros do país”, afirma. “O crime se manifesta de diversas maneiras em regiões distintas do país e, nesses distritos, os líderes devem envolver membros da comunidade e organizações comunitárias para trabalhar juntos para reduzir o crime e o problema da insegurança.”

Laura instou os líderes comunitários do país a “gerar modelos de cooperação comunitária” e dar poder aos membros da comunidade para ajudar as forças policiais.

“A polícia deve estar presente onde os cidadãos precisam. Grupos organizados de cidadãos e líderes comunitários organizados podem ajudar a informar à polícia onde o crime é mais presente”, explica. “Trabalhar juntos é o único jeito de reduzir a insegurança dos cidadãos.”

Laura e Zamora concordam que o aumento dos investimentos é também fundamental para melhorar a segurança nacional. Um provável imposto de US$ 300 (R$ 550) sobre todas as empresas nacionais encontra-se em discussão na Assembleia Legislativa. Se aprovado, o tributo irá gerar cerca de US$ 72 milhões (R$ 133 milhões) ao ano para o setor.

Um aporte financeiro adicional dos Estados Unidos e de outros países está melhorando os recursos de segurança, embora tanto Laura quanto Zamora afirmem que o trabalho de reduzir a delinquência e a violência está nas mãos da Costa Rica.

“A responsabilidade é nossa”, declara Zamora. “A contribuição de outros países ajuda, mas entra dia sai dia, é nossa responsabilidade reduzir o crime nas ruas. Estamos em um ponto crítico, mas temos a oportunidade de deter o crime antes que fuja do controle.”

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