2011-10-03

Colômbia e América Central batem recorde em apreensão de drogas

Soldados guatemaltecos vigiam uma rua no centro de Coban, capital do departamento de Alta Verapaz, no norte do país, palco de recentes homicídios relacionados a drogas. [Jorge Lopez/Reuters]

Soldados guatemaltecos vigiam uma rua no centro de Coban, capital do departamento de Alta Verapaz, no norte do país, palco de recentes homicídios relacionados a drogas. [Jorge Lopez/Reuters]

Por Jamie Dettmer

Autoridades colombianas têm obtido êxito na luta contra um dos narcotraficantes mais poderosos do país, Daniel “El Loco” Barrera. A vitória mais recente aconteceu em meados de setembro, quando quatro redes diferentes foram atacadas em Bogotá, Cali, Barranquilla e Villavicencio.

As operações coordenadas resultaram na detenção de 36 suspeitos, incluindo “quatro figurões”, informou o chefe da Polícia Nacional colombiana, general Oscar Naranjo. A polícia apreendeu ainda 21 aeronaves leves e submarinos usados no transporte de drogas para a América Central.

O porta-voz da polícia admitiu a ajuda de um informante, mas alguns analistas independentes — considerando a escala e o alcance dos sucessos policiais — acreditam que ou o informante é muito bem posicionado ou a penetração da inteligência vai muito além de um simples informante.

El Loco, que continua foragido, é o mais famoso de uma nova geração de traficantes colombianos que disputam o espaço deixado pelos cartéis El Norte del Valle e de Cali, ambos desmantelados pelas autoridades. O coração da organização do narcotraficante fica nas planícies do leste colombiano, mas suas redes estão espalhadas por todo o país, transportando cocaína ao longo das costas do Pacífico e do Atlântico, informou a polícia colombiana.

O cartel de El Loco é um dos mais ousados no uso de narcossubamarinos semissubmersíveis e submersíveis para transportar carregamentos de drogas pelo mar. Sem radar ou sonar, essas embarcações são difíceis de serem detectadas. Naranjo, entretanto, esbanja confiança ao falar com jornalistas sobre as operações de setembro e garante que a captura de El Loco — que, segundo o próprio general, estaria envolvido com o cartel mexicano de Sinaloa — é mais do que certa.

Panamá desarticula importante rede de tráfico de cocaína

A Colômbia não é o único país a obter vitórias no combate aos cartéis de droga transnacionais. No vizinho Panamá, o promotor antidrogas Javier Carabello anunciou que uma importante organização de tráfico de cocaína foi desarticulada, resultando na captura de 80 panamenhos e colombianos em todo o país, revelando que o grupo era liderado pelo suposto traficante de drogas colombiano Jorge Indalecio Marmolejo, que teria transportado mais de 18 toneladas de drogas pelo Caribe nos últimos 18 meses.

Mas, apesar de os governos centro-americanos estarem combatendo os narcotraficantes, os desafios ainda são enormes, como mostra uma entrevista recente do presidente da Guatemala, Alvaro Colom, à BBC — em que alerta sobre a expansão dos cartéis de drogas mexicanos em seus país.

Colom afirmou que o Los Zetas controla “sete ou oito províncias — 35% a 40% do nosso território”, com o que concordam observadores independentes. Samuel Logan, analista de segurança regional, acrescenta que o Los Zetas e outros cartéis controlam o terço norte da Guatemala.

Uma das maiores preocupações são as alianças que estão sendo formadas entre os cartéis de drogas transnacionais e as gangues de rua, ou “maras”, que vendem drogas no varejo e executam roubos, sequestros e extorsões.

Carlos Menocal, ministro do Interior da Guatemala, denuncia que os cartéis estão fornecendo armas mais modernas às maras. Em setembro, o ministro foi citado em um relatório do Centro Internacional Woodrow Wilson para Acadêmicos em que teria dito que “há dois anos e meio, podíamos dizer que as maras ainda usavam armamentos improvisados. Agora, usam fuzis AK-47, Galil, AR-15 e metralhadoras com mira a laser, além de pistolas calibre 9 mm e .40 novinhas em folha.” Autoridades calculam que entre 1,2 milhão e 1,8 milhão de armas estão em uso na Guatemala, segundo o mesmo relatório.

Nas pesquisas de opinião com vistas à eleição presidencial de 12 de setembro, os guatemaltecos revelam sua preocupação com a criminalidade e a violência, o que não chega a surpreender, pois 41% dos mais de 6.000 assassinatos no ano passado tinham ligação com o narcotráfico, ressaltou Colom. A taxa de homicídio é de cerca de 41 por 100.000 habitantes, mas, segundo informou recentemente o Banco Mundial, na região de Petén, no norte do país, a taxa chega a 80 a 90 por 100.000 habitantes.

As taxas de homicídio estão disparando também nos países vizinhos. Honduras está prestes a fechar o ano de 2011 com uma taxa de 86 por 100.000 habitantes, enquanto El Salvador ruma para uma taxa de 72 por 100.000, segundo novos estudos.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos de Honduras informou em setembro que, no primeiro semestre de 2011, o país tinha uma média de 20 homicídios diários, muitos dos quais relacionados a drogas. Ramón Custodio López, comissário nacional de direitos humanos, diz que os cálculos para 2011 representam um aumento significativo nos homicídios comparado a 2010, quando a taxa era de 77 por 100.000.

A taxa de homicídio está em alta também em El Salvador, que registrou aproximadamente 2.900 assassinatos nos primeiros oito meses de 2011. O mês de agosto foi particularmente brutal, com o registro de 391 mortes pela polícia salvadorenha.

Além das notícias cada vez piores sobre criminalidade e violência, os governos regionais também têm pela frente um novo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) que alerta sobre o crescimento do uso de estimulantes do tipo anfetamina (ETA), como metanfetamina e ectasy, em todo o mundo — principalmente no sudeste asiático, África Ocidental e Américas.

O relatório alerta ainda que o comércio crescente dessas drogas e os altos lucros gerados representam mais ameaças à saúde e à segurança. Diz-se que os ETAs são atualmente considerados o segundo tipo de droga mais consumido depois da cannabis — superando até mesmo a heroína e a cocaína. Enquanto o consumo destas permaneceu praticamente estável entre 2005 e 2009, as apreensões de ETAs e a descoberta de laboratórios clandestinos indicam um aumento rápido do uso desses entorpecentes no mundo, também segundo o relatório do UNODC.

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