2012-07-12

Militares e policiais do Paraguai oferecem assistência médica gratuita com a ajuda dos EUA

Médicos do Exército paraguaio colhem informações de paciente durante o Programa de Ação Médica e Civil no estado de Concepción, Paraguai, no dia 2 de junho. (Foto: Primeiro Sargento Larry Carpenter/Força Aérea dos EUA)

Médicos do Exército paraguaio colhem informações de paciente durante o Programa de Ação Médica e Civil no estado de Concepción, Paraguai, no dia 2 de junho. (Foto: Primeiro Sargento Larry Carpenter/Força Aérea dos EUA)

Kelsey L. Campbell, SOCSOUTH e Sgt Larry Carpenter, SOCOM

Com o aconselhamento e a assistência da equipe de planejamento de Relações Civis do Comando Sul de Operações Especiais (SOCSOUTH), os soldados de Relações Civis do Exército paraguaio juntaram-se a unidades da Polícia Nacional do Paraguai para prestar atendimento médico e educacional aos habitantes das regiões rurais do país, nos dias 2 e 3 de junho. As duas unidades de segurança prestaram atendimento médico a mais de 2.400 habitantes rurais na escola ’12 de Abril’ em Arroyito, distrito de Horqueta, no estado de Concepción.

O acesso à área só é feito através de estradas sujas e lamacentas, o que impede a entrada de ambulâncias e prejudica o patrulhamento da Polícia Nacional. Os habitantes locais contavam com pouca ou nenhuma assistência das forças de segurança municipais ou nacionais em seu distrito. O Programa de Ação Cívica e Médica (MEDCAP) trouxe a oportunidade para que militares e policiais servissem à população vulnerável, desenvolvessem elos entre os serviços das duas nações parceiras e construíssem relações com a comunidade.

“Projetos como esses são importantes no Paraguai, porque o governo tem acesso limitado a muitas áreas do país, fato de que se aproveitam organizações traficantes de drogas ou organizações extremistas violentas da região”, disse o Primeiro Sargento Hansel Delgadillo, planificador de Relações Civis do SOCSOUTH. “Esses programas demonstram uma frente unificada positiva por parte do governo local, da Polícia e do Exército nacionais na região, cujos habitantes costumavam protestar contra o governo local e demonstravam pouca ou nenhuma confiança na Polícia, devido à corrupção que nitidamente havia.

O General Gonzalez, comandante da 4ª Divisão do Exército paraguaio, supervisionou toda a operação militar-policial em Arroyito. Ele lembrou que, devido aos esforços da comunidade, esta era a primeira vez em que suas tropas conseguiam atuar com facilidade em Arroyito.

Os militares e policiais trouxeram um grupo de médicos, cirurgiões, dentistas, enfermeiros e técnicos em odontologia para prestar atendimento médico aos membros da comunidade. O Ministério da Saúde Pública enviou uma unidade móvel odontológica para o evento. Os habitantes rurais receberam tratamento em um total de 9.379 casos diferentes nas áreas de medicina interna, ginecologia, pediatria, oftalmologia, odontologia e cirurgia ambulatorial. Além disto, foram prestados serviços de laboratório e farmácia.

“A equipe médica foi muito prestativa e somos muito gratos por seus serviços”, disse uma senhora que compareceu ao evento. “Esta é a primeira vez em que recebemos este tipo de tratamento. A hospitalidade foi enorme, além do tratamento e do excelente serviço.

Os planificadores de Relações Civis do SOCSOUTH contaram com um orçamento operacional de US$ 70 mil do Programa de Assistência Humanitária do Comando Sul dos EUA (HAP). A verba foi usada para pagar os equipamentos e consultas fornecidos ao governo paraguaio através do MEDCAP, bem como o material escolar doado à escola ’12 de Abril’ e suprimentos médicos doados ao posto de saúde local de Arroyito.

Arturo René Urbieto Cuevas, prefeito de Horqueta, ficou extasiado com a colaboração dos militares e policiais nos exames e tratamentos médicos prestados à população de sua cidade. Para colaborar com a operação, ele doou 100 quilos de carne para as refeições servidas aos participantes.

“Sou grato pelo treinamento que os EUA nos propiciaram, e transmitirei à Polícia esse mesmo tipo de treinamento, para que seus membros possam aumentar sua capacidade”, disse o Coronel Monges, chefe da direção de Relações Civis do Exército paraguaio.

Anteriormente, a Polícia e o Exército não formavam uma frente unificada. No passado recente, no entanto, as Relações Civis do Exército e a Polícia Nacional colaboraram com os registros civis em todo o país. Este MEDCAP, denominado Plan Nepohano 17, foi a primeira parceria integral entre militares e policiais para os esforços médicos da comunidade. Juntos, realizaram exames e tratamentos, cuidaram da segurança do evento, transportes para a população rural e forneceram refeições nos dois dias da operação.

“Estou muito grato e gostei muito do esforço conjunto de todos que trabalharam em grupo para que pudéssemos atender a todas as necessidades que temos aqui”, disse um cirurgião-geral da FOPE (Forças de Operações das Polícias Especiais) da Polícia Nacional. “Foi bom. Esta é uma boa oportunidade para trabalharmos com outra força”.

Além do atendimento médico prestado, representantes do Ministério da Justiça e Trabalho estavam presentes para registrar os habitantes rurais na base nacional de dados, atualizar e emitir documentos de identidade e cadastrar armas de fogo. Para muitos residentes, esta foi a primeira vez em que tiveram uma carteira de identidade paraguaia.

Além de enviar equipes médicas militares e policiais a Arroyito, a equipe do MEDCAP levou um veículo para transportar os habitantes das localidades rurais afastadas para que recebessem o atendimento médico gratuito. Muitos residentes da região de Horqueta vivem muito abaixo da linha de pobreza. São agricultores de subsistência que vendem apenas os produtos agrícolas ou animais de corte suficientes para pagar pela gasolina de suas motocicletas. Muitas famílias não possuem carros e não conseguem chegar regularmente às áreas metropolitanas para receberem atendimento médico.

“Se eles não viessem aqui, teríamos que viajar a Concepción ou Horqueta, e não temos realmente meios para fazer isto”, disse uma senhora idosa habitante local. “Às vezes, quando vamos lá, não nos fornecem remédios, por isto este evento é ótimo para nós e estamos muito felizes”.

“O objetivo é que as pessoas ganhem confiança, que seja estabelecido um diálogo e que haja aproximação do povo e da Polícia”, disse o chefe da Unidade de Operações Rurais da Polícia Nacional. “É evidente que quando falamos com as comunidades, ganhamos sua confiança e deixamos claro que o governo e a Polícia estão aqui para ajudá-los”.

A comissária Lara, chefe da unidade COR (Comandos de Operações Rurais) da Polícia Nacional, disse: “O relacionamento de trabalho entre o Exército e a Polícia Nacional está evoluindo muito bem, eles me convidaram para participar de futuros MEDCAP”, disse ela.

“Trabalhar com nossos homólogos de Relações Civis das nações parceiras foi uma experiência incrível”, disse Delgadillo. “As longas horas de trabalho antes, durante e depois de uma operação para garantir que todos os aspectos da missão tenham sido cobertos e executados dentro dos padrões tornaram nosso trabalho no Paraguai muito mais fácil”.

Os planificadores de Relações Civis do SOCSOUTH já estão coordenando a criação de operações para mais três MEDCAP que devem ser realizados em colaboração com o Exército e a Polícia Nacional do Paraguai em um futuro próximo.

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